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Mãe-Galinha

Ainda é Natal?

05.01.12

O meu filho chora baba e ranho quando lhe explico que já passou o Natal e que no Sábado arrumamos a árvore. Chora e diz que não pode ser, que o Natal é todos os dias,poisé mãe? E onde é que mora o pai natal, mãe? E tu és a mãe do Jesus? E o Jesus chama-se Jesus Quintela?

O meu filho é pequenino e acha que o Natal é todos os dias, benzódeus. (Escrevi benzódeuse não "benza-o Deus" porque quero utilizar a expressão como uma exclamação, - vidé gramática - e não como um pedido a uma entidade, ok?. Não é por ser herege ou coisa parecida.)

 

Eu também quero que seja Natal todos os dias mas não tenho espírito para luzes e bolas o ano inteiro.

Deixo em cima da mesa este presépio LINDO feito e oferecido pela Ana. Não para calar as birras, que essas cedem bem a subornos calóricos, mas para nos lembrarmos de ser mais felizes. Como no Natal.

 

♥ X-mas

19.12.11

Não justifico a decisão pela  inconsciência do ato em si. Decido fazer bolachas com os mais novos, antes do jantar, carregada de cansaço e com noites mal dormidas acumuladas. Mas não é só - o garoto está de birra e quer fazer colagens na mesa da cozinha mas também quer amassar as bolachas e recortar panfletos de natal.

Ai o caraças.

Maldisse durante todos os minutos os conceitos de partilha destas tarefas com crianças pequenas. Quem escreve estes disparates devia vir um dia inteiro aqui para casa. E os blogues com criancinhas loiras nas cozinhas imaculadas? A sério, tiram-me do sério.  Tenho farinha espalhada por todo o lado, bocados de massa agarrados às paredes, os bifes por fritar e o puré por fazer.

Se não fosse a Carmo, tinha desistido a meio. Mas lá ajudou o irmão com as colagens enquanto eu me lembrava, em pânico, de que uma das mais velhas pediu uma caixa de panados para o almoço de natal do dia seguinte.

Descongela-tempera-ovo-pão ralado-frigideira. Feito. Os outros bifes e o puré também. Sopa quente.

Mãe, falta a salada! Tomate. Quero tomate!

(Mas para que os habituamos a tanta perfeição?)

 

Jantámos enquanto a massa arrefeceu, deixei-os cortar seis bolachas, meti-os na cama e saí da cozinha à uma da manhã, hora a que registei o momento, para depois descer à cave e etiquetar tudo com boas festas e laçarotes.

 

 Confirma-se. O Natal faz de mim uma pessoa melhor diferente.

Sanduiche de jingombéle

14.12.11

Não sei como fazem as mães dos outros filhos para gerir a segunda semana de Dezembro. Na verdade eu própria não sei como faço porque exatamente a meio da tal semana (hoje) estou num limbo entre o acordada e o a dormir, com o cérebro naquela posição que não permite a consciência das ações. Só quero que sexta-feira chegue depressa e que não me venham também os diretores de turma querer entregar notas para a semana e estragar-me o barato das férias condicionais. Vou ter malas para fazer, presentes para embrulhar e quatro crias em casa a atazanar-me o juío (nota mental - imprimir milhares de fichas). 

Desde Domingo, e vão três dias, já perdi a conta aos quilómetros que fiz nesta cidade, às audições e festas a que assisti, aos ensaios a que levei uma, duas, três Marias, com o rapazinho atrelado. Ele sempre comigo, com uma paciência que só pode ter herdado do pai, entra e sai e vê as irmãs e os amigos das irmãs, janta tarde e a más horas, nem sei se tem tomado banho, elas acho que sim, espero que sim, pelo menos têm mudado de roupa - A vida continua fora de horas, há roupa para lavar e comida para fazer. Há até muito mais roupa para lavar, note-se. Que aqui é uma camisola verde, agora camisa branca e calças de ganga, logo à noite é tudo preto, ok, mãe? Tudo para lavar, que dobrar e pôr no armário dá-lhes trabalho.Mas tá tudo transpirado, mãe... Fartei-me de cantar/tocar/dançar/rebolar. Óquei, óquei, deixa estar aí no cesto. Espero que adormeçam, tiro do cesto, sacudo, dobro, borrifo de brise* e siga. Sempre se poupa na água e na luz não indo à máquina; o trabalhinho é o mesmo. (Mas não ia dizer a uma pré adolescente que nem sempre quer tomar banho que não lhe lavo a roupa suada do esforço).

É nestas alturas que compreendo o que deve sentir um filho do meio, ensanduichado entre os irmãos. Euzinha ando entalada entre o orgulho das crias e a vontade que me desapareçam da frente com os seus inúmeros talentos que me fazem saltitar de escola em escola, de palco em palco e de lanche em lanche. Tenho arritmias com o pânico de não conseguir chegar a horas mas dou por mim em preces para que se fure um pneu que me desculpabilize o atraso. Vivo entre o espírito de natal e um desejo de espiritismo que me faça desaparecer por uns dias.

E entretanto, há o Natal. O da família, dos jantares com amigos, compotas para a troca e presentinhos feitos em casa. Encaixo estas vidas numa agenda cheíssima, roubo horas ao sono, pareço um zobie olheirento, não durmo mais do que cinco horas por noite, mas trauteio jingombeles a toda a hora.

 

* mentira

3 de Janeiro

05.01.11

Voltaram à escola e, pela primeira vez, não senti as férias como um fardo.

Muitos ensaios de ballet, duas Marias crescidas que já ficam em casa de vez em quando e um infantário que gere bastante bem os dias em que fecha, aliviaram-me um bocadinho a pressão dos 15 dias. A Carmo porta-se suficientemente bem para estar aos bocados comigo no trabalho.

Com um resto de férias minhas e duas Marias adoentadas com direito a atestado (meu), consegui organizar o Natal e a festa da Inês sem grandes pressas. Acabei por não trabalhar durante toda a primeira semana de férias da escola e, sem dinheiro para grandes compras e mau tempo qb, acabei por conseguir fazer grande parte dos presentes - bolachas, cestos de natal, gorros, botinhas, etc.

Um dos meus melhores presentes: Três Marias no Quebra-Nozes.

Aljubarrota em Aveiro

13.12.10

 

Depois de meses sem fazer pão, voltei a poder libertar a pequena padeira que há em mim.

A máquina antiga deixou de trabalhar (excesso de uso?) e o dinheiro devolvido esperou pacientemente uma nova remessa no LIDL. Chegou na quinta-feira passada e temo agora pela saúde desta - pelas minhas contas, em três dias trabalhou mais de quinze horas - mnham!

Eu podia só cozinhar, inventar ementas, organizar refeições, distribuir comida em tuperwares (a sério, há qualquer coisa entre mim e caixinhas cheias de comida).

Então fiz bolachas, bolos, pão, bifes recheados, sopa, tarte, tudo e tudo! Hoje é segunda-feira e ainda cheiro aos fritos e refogados de Sábado. Doem-me as pernas das horas em que estive de pé mas tenho a alminha cheia de boas energias.

Claro que devo agradecer ao meu local de trabalho por me ter albergado a criançada durante umas horas no Sábado, à conta dum filme e de presentes para todos. E ao meu marido que levou e buscou, e à minha amiga Catarina que lhes deitou o olho. Eu baldei-me, que oportunidades destas não aparecem todos os dias, e refastelei-me entre ovos e farinha.

As crianças devem ter definhado de saudades minhas naquelas três horas. Ou isso ou eu estava besuntada de geleia e nem dei conta. Colaram-se a mim que nem lapas e só desertaram da cozinha na ameaça de não provarem nada.

 

Depois vieram amigos para jantar e comemos.

E no dia seguinte fomos a casa de amigos e levámos os restos.

E ainda há.

 

Imagem dum trabalho de Nuno Matos, do atelier bola de neve.

A menina fez seis anos e foi à catequese

08.01.10

O Natal é uma festa porque o pai natal faz anos

Os Reis MagRos levaram presentes a Jesus

 

Mas

 

A Maria teve uma novidade trazida pelo anjo Gabriel e a novidade era que ela ía ser a mãe de Jesus, que era filho de Deus.

 

O que me fez pôr a prova o espírito crítico das nossas Marias:

- E como é que a Maria ficou grávida?

- Foi Deus

- Mas como? Para haver um bebé tem que haver um espermatozóide e um óvulo

(silêncio)

- Foi Deus através do José

- Mas a Maria não era virgem?

- Qué isso?

- Cof Cof... (mas expliquei)

- Olha, não sei - e levantou-se da mesa (M1)

- Como foi, mãe (M2)

A cara de espanto, a boca aberta (M3)

Eu - É uma metáfora.

- Ah... Tá bem. (Teve 5 a Língua Portuguesa; é capaz de saber o que é uma metáfora)

 

 

 

twilight zone

21.12.09

Agora que estou sentada e entre diários da república e pastéis de nata, vou escrever sobre a minha vida desde sexta-feira até hoje.

(O Natal devia ter dois fins-de-semana" antes". Não é um a meio de Dezembro e o outro a seguir. Não. Eram dois fins-de-semana paralelos, mesmo antes do Natal, e a acontecer ao mesmo tempo mas em dimensões diferentes).

Desde sexta que tento clonar-me e dividir-me entre festas de natal que acontecem à mesma em lugares opostos da cidade. A ter que estar na festa do Sebastião porque fui dançar uma música da Xuxa (vídeo disponível por 110€) e a Carmo a choramingar porque a aula aberta de ballet não é coisa de homens e que não podia ser o pai a ir. E depois, no dia seguinte, a Maria a não querer ir com as irmãs à festa do meu emprego porque tinha que partilhar um lanche na catequese, e a festa do meu emprego a acabar em cima da hora do lanche do ballet.

 

No meio disto tudo, onde é que eu fui? À festa do Sebastião e siga para casa. Cozinhei durante quarenta e oito horas, estou entupida de filhós e arroz-doce, o pai divertiu-se à brava a correr dum lado para o outro entre festas de criancinhas e como só há um fim-de-semana antes do natal, convidámos para almoços e jantares montanhas de amigos com filhos pequenos (os filhos PEQUENOS, esse detalhe importante que faz multiplicar exponencialmente o nº de crianças por metro quadrado desta casa. Diga-se já: amigos adoráveis e crianças adoráveis. Quase todas ranhosas mas adoráveis. Há um quadro que não me sai da cabeça - o Sebastião, entre grunhidos, a esticar a mãozinha gorda e a convidar uma menina para dançar - cumpro o meu objectivo de criar um  pequeno cavalheiro, que de homens burgessos está o mundo atulhado. Este é o meu presente de Natal para a humanidade).

 

Eu queria descansar mas falta-me bricolar o resto dos presentes, embrulahr  embrulhar os presentes todos e ah! agora me lembro! Amanhã temos outra vez festa.

Não me interessa que a Leopoldina tenha perdido as asas. Continuo a gostar dela. E da Popota também.

12.11.09

O Hospital de Aveiro é um dos 27 finalistas da Missão Sorriso deste ano e candidata-se com um projecto de aquisição de material para a Unidade de Cuidados Intermédios Neonatais.

Este ano, apenas cinco unidades serão seleccionadas e, pela parte que nos toca, sabemos que este hospital merece ser uma delas.

A edição MISSÃO SORRISO 2009 integra uma votação on-line. Os projectos/hospitais mais votados passarão à fase seguinte.

Basta clicar aqui e votar.
 

Frio em Novembro, Natal em Dezembro

10.11.09

Hendrick Avercamp, Winter Landscape with Iceskaters (aqui)

 

Este ano duvidei da chegada do Natal mas hoje, de cachecol e mãos geladas, voltei a acreditar. Em fase de arrumar as ideias e a vida, aproveito para dar uma volta à casa e ensaco roupas e brinquedos. Normalmente segue tudo para a junta de freguesia que tem um banco social e encaminha estas coisas com peso e medida. Desta vez as Marias colaboram e os brinquedos seguem em caixas.  As roupas vão para aqui* - altruísmo com vales em roupa, que nós também precisamos.

 

* Lojas BwKids

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© Rita Quintela
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