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Mãe-Galinha

Ama ssada

07.05.08

Hoje há-de ser a festa do dia da mãe na esccola da Carmo.

Eu não gosto que se chamem as mães à escola às 4h da tarde para o chá do dia da mãe (ou os pais, no dia do pai, ou os avós, no dia dos avós). Eu, por acaso, posso ir à escola da Carmo às 4h da tarde mas há quem não possa. E os meninos dessas mães que não podem vão ficar com um nó na alma pela ausência da mãe. (outra mãe que pensa assim)

 

Hoje ponderei não levar a Carmo à escola mas vejo-a tão entusiasmada, há tantos dias, com as "surpresas do dia da mãe na escola" que não resisti. Ainda ontem à noite:

- Ai mãe! Tu amanhã vais ficar toda equilibrada com as surpresas (era emocionada)

Se ela hoje não fosse à escola eu também não teria que lá ir e não ia ter que ver os olhos de bambi dos meninos que lá não vão ter a mãe.

 

Lá irei, portanto. E vou reler o coração vermelho assinado a letra de imprensa num "CARMO" perfeito mas redigido em letra de educadora. Cada vejo que releio o coração perco a vontade de rir que tive no primeiro impacto (revi-me tanto aqui):

- A mãe não brinca comigo porque tem que fazer o jantar

- À noite não se pode brincar porque é hora de ler uma história e dormir

ou

- O pai e a mãe não têm força nenhuma e por isso sou eu que fecho a  máquina da louça

 

e por aí fora.

 

Sinto uma ponta de inveja dos outros corações tão, aparentemente, mais felizes que o dela.

Como me sentiria se acima do "CARMO" perfeito estivesse escrito "eu gosto muito da mamã porque ela me faz carne com massa"?

 

A minha menina, a ainda-a-mais-nova é a coisa mais realista e perspicaz do mundo.

Desenhou-me grávida e sabe que as mães não estão sempre felizes e também não estão sempre a brincar com os meninos. E sabe que a mãe (dela) demora que tempos a fazer o jantar porque quase nunca faz carne com massa.  Hoje faço-te empadão, queres?

Mais do mesmo

06.03.08
Ainda a televisão e o infantário e agora, chamando os bois pelos nomes:

Mentiram-me e eu resignei-me.
A televisão não só não foi retirada como é cada vez mais utilizada.

A Carmo frequenta um infantário (creche + jardim-de-infância) da segurança social. O mesmo que as irmãs frequentaram. Foi a opção que nos foi apresentada quando viemos viver para Aveiro, algures num mês de Agosto e com quinze dias sem tempo para procurar escolas.
Apesar das instalações a cheirar a novo, era a escola que eu tinha frequentado e por isso, deixei que os laços emocionais funcionassem.
Fechei os olhos a uma série de coisas.
Por inércia minha, e por comodidade, digamos assim, nunca me deu para procurar outra escola.Por outro lado, sempre me encheram os ouvidos com os costumeiros
"nas outras escolas também é assim; ou pior...."

Há oito anos que alguns problemas se arrastam
a ementa que não varia
a televisão que não desaparece
a falta de formação dalguns funcionários
a inércia da segurança social para uma política de apoio às famílias.

Estalou-me o verniz outra vez, foi o que foi. E outra vez por causa da televisão:
- Mas porque é que esta televisão está sempre ligada?
- É só até ás nove! E eles nem estão a ver!
- Então porque é que está ligada?
- (silêncio)

Sem fundamentalismos, que eu cá acho que até há coisas boas na televisão.
mas hei-de vencê-los, nem que seja pelo cansaço.

Mais:
Outras mães que se preocupam com este assunto: aqui, aqui e aqui

Um post interessante sobre o tema as crianças e os perigos da televisão.

1-0

17.09.07
Auxiliar da sala dos quatro anos, no dia em que a sesta regressou às rotinas:

- Ah... Correu tão bem a tarde. Parece que foram exorcizados!

(Mas cabe na cabeça de alguém que os miúdos não dormissem por teimosia duma senhora da segurança social e não por falta de espaço ou de pessoas? Na realidade, das 13h às 14h, aqules vinte e cinco meninos ficavam, numa sala dum infantário público tutelado pela segurança social, com uma funcionária da limpeza duma empresa externa. A funcionária é um doce mas não não era com ela que os meninos deviam estar, pois não? Agora estão na mesma mas ao menos estão a dormir.)

A Carmo nem parece a mesma. Até se lhe arrosaram as bochechas e deixou de adormecer tombada em cima do prato da sopa.

Zita

12.01.07
Ontem perguntaram-me pela Maria no infantário. Há dias em que lá levo a Inês; calha-me em caminho e em horários. À Maria nem por isso. À hora a que vou buscar Carmo, a JMaria atarefa-se noutras paragens.

Não houve coincidência no facto da educadora e auxiliar da Carmo virem a ser as mesmas que tinham estado com a Maria. Ainda a miúda me ocupava a mim os dias inteiros e já eu suponha que assim seria. Não queria, seriam inevitáveis as comparações. Mas foi. Passado uns tempos a eduucadora saíu e foi substituída. Ficou a auxiliar, a quem a Maria chamava "mãe" e a quem a Carmo chamava "minha".
Compara-as, pois claro. Ainda ontem, no meio dum enorme e comovido abraço à Maria, e entre os suspiros
- Tão grande!... Tão linda!...
se virou para a Carmo e disse
- Ralho mais contigo num dia do que ralhei com a Maria durante não sei quantos anos!
A Carmo não tem papas na língua e, de dedo em riste, atirou-lhe à cara a mais pura das verdades:
- Mas eu num sou a Maria!

Não há lugares perfeitos. Nem escolas. Mas há pessoas fantásticas.
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