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Mãe-Galinha

Se saírem da água agora, deixo-vos comer caracóis

15.08.09

Consta que estou de férias. Até já estive na praia e fui a banhos mas suei as estopinhas a ver se o miúdo não metia na boca todas as pedras e conchas. Também por causa dele, só desço à areia em horas a que não me apetece porque às nove da manhã quero é dormir. Mas se conseguir ficar na cama até às oito, como hoje, é uma sorte.

As Marias querem andar na rua até às tantas, deitam-se tarde e andam olheirentas. Eu deixo, são férias - amigas, primas e muito algodão doce. Na praia consomem-me os nervos porque não saem da água e estão sempre roxas; este ano a Carmo também já fura as ondas e eu nem olho, que isto é tudo demais para mim.

Portanto, chamem-lhes tudo menos férias. Mudei de ares, é um facto, mas o ar nem é assim tão diferente porque no resto do ano também cheira a maresia e há esta nevoa que não deixa as toalhas secarem. Nas férias durmo menos, porque me deito mais tarde e acordo à mesma hora, cozinho mais, porquer nas férias toda a gente almoça em casa, aturo mais birras, lavo mais roupa, (só não a passo, não quero saber). E não valem a pena o "ah... não cozinhes" ou "ah...não laves a roupa" ou "ah... deixa lá os miúdos brincarem com as facas". As férias são dias como os outros e se não fizermos nós, ninguém faz. São dias melhores porque estamos mais juntos e sem o resto dos trabalhos. E há a praia, os gelados, os amigos, os primos e até o nevoeiro que me tira da praia e me dá estes bocados de ninguém. 

 

Uma nota final mas muito, muito importante - só pode ser dos bons ares ou então é do pling-pling da torneira que não fecha - Sebastião, um ano e alguns dias: aprendeu a adformecer sozinho.

O sol brilha, os passarinhos cantam e e eu rejubilo por voltar ao trabalho

15.06.09

As férias cansaram-me tanto que hoje não vou arredar pé do trabalho. Aliás, estou a escrever este post no trabalho, vou almoçar no trabalho, se calhar passo pelas brasas aqui no trabalho, tomo café no trabalho, fumo cigarros à porta do trabalho, tenho conversas normais com pessoas com quem trabalho e estou tão bem sentadinha nesta hiper-mega-confortável-cadeira que acho que nunca mais saio do trabalho.

E o silêncio? Ah.... Respirar e ouvir o ar passar-me pelas narinas. Sem gritos, nem choros, nem chius, nem nada. Só eu e o meu ar. Nunca mais saio daqui - eu, o meu trabalho, esta cadeira, até este computador que nem é meu mas que sabe da minha vida toda. E pagam-me para aqui estar, confortável, a produzir trabalho mental, nada de sopas nem máquinas de roupa, não aturo birras (bem, ás vezes lá calha) e consigo não estar cheia de nódoas. Não tenho passado as últimas horas a carregar um bebé gordo que não pára quieto e que passa o tempo a atirar os brinquedos para o chão para depois gritar "Mãe!" num vozeirão de comando. E  a lorpa lá vai - Toma chuchu, atira outra vez ao chão que a mãe apanha, tá bem? E assim se criam os homens de amanhã....

Claro que me faltam as crias mas nas férias, tirando o bebé a quem, na certa, se esqueceram de cortar o cordão umbilical, também me faltaram as Marias. Para mim as férias haviam de ser dias cheios de filhos mas as minhas não costumam ser porque elas (as filhas) têm tantas coisas diferentes e tantas pessoas de quem têm tantas saudades que acho que se esquecem um bocadinho da mãe. Mas não faz mal porque hoje a mãe está tão bem disposta que nem isso a fará pensar na vida. 

Nunca mais digo mal do meu trabalho.

Coisas de sempre

05.06.08

A capa de argolas que a Inês usa para as partituras da flauta era minha e tem mais de 20 anos.

 

 

 

Ainda hoje gosto de forrar livros e cadernos e acho que nisso as miúdas são privilegiadas. Chegam ao fim do ano com os livros "arranjadinhos" e, não fosse o facto de estarem escritos até mais não,  podiam passar dumas para outras.

 

O ano lectivo começa a acabar amanhã (fim do conservatório) e eu não sei como vou gerir as férias delas a partir do dia 20 deste mês (fim da escola).

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© Rita Quintela
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