Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mãe-Galinha

Eu, em cada migalha de cada fatia de pão

14.04.15

Uma só bebe leite meio gordo, simples, outra prefere leite magro, a outra só leite com chocolate, mas light, o miúdo bebe o leite da escola mas há aqui quatro pacotes porque durante duas semanas temos uma visita que também leva leite para a escola.

IMG_4774.JPG

 

Eram 23h30 quando tirei esta foto. É a hora a que começo a preparar os pequenos almoços, os lanches e as marmitas dos almoços. A essa hora ainda tinha uma panela de sopa ao lume, uma máquina de roupa a lavar (que já não estendi, acho que quinei de exaustão, entretanto), e um milhão e meio de meias para emparelhar.

De manhã fiz meia dúzia de sanduiches, uma com fiambre de peru e manteiga magra, outra de nutella mas em pão de mistura, mais uma só de queijo, e a de doce de tomate para parecer que estou a comer sangue, mãe (faltam duas. Não me lembro de que eram).

Com os iogurtes é a mesma saga - grego açucarado, líquido de morango mas só do lidl que os do PD são muito espessos, mais a mania dos sem lactose e dos bifidus . 

Hoje a visita perguntou porque é que ao pequeno almoço havia duas caixas de cereais iguais, mas de marca diferente - Ah! é que a Carmo só come estes da vaca e a Maria prefere estes do cão.

A relva precisa de ser cortada, tenho uma trepadeira a crescer para casa do vizinho, todos os dias enfio o carro na garagem de olhos fechados porque não consigo olhar para a desarrumação que para ali vai e enfim, dava-me jeito mais meia dúzia de horas em cada dia.

Se eu me podia poupar e fazer pão com manteiga para todos? Podia. Ou deixar tudo para eles fazerem? Também. Se já experimentei? Não. Se quero experimentar? Também não. E porquê? Porque é nestas pequenas coisas que está a graça disto tudo. 

E agora a parte lamechas:

Durante a semana sinto que estou pouco tempo com os meus filhos e e olho para estes dez ou vinte minutos de cada dia, em que separo leites, sanduiches e iogurtes como a minha forma de estar com eles o dia todo (a sério). Sei que provavelmente nenhum deles atribui grande importância ao facto de eu me preocupar com o gosto de cada um mas quase que aposto que, se lerem isto, vão passar a preparar o seu lanche porque não vão querer estar a comer e a sentir que a mãe está por ali a pairar em cada migalhinha do pão.

Junho!

03.06.14

Mal posso esperar que termine este ano letivo e é por isso que exclamo Junho no título.

Este mês também tem outras coisas boas (algumas são surpresas que não posso desvendar). Outras já passaram e ainda o mês vai no princípio.

De registar - a experiência RR que as Marias contam, de certeza, muito melhor do que eu. (Até porque ainda não me recompus das duas horas de sono a que tive direito - Há o "ir" ao RR e o ir ao RR saindo de Aveiro às 14h e e regressando no final do concerto)

 

(a foto que diz tudo - a expressão de felicidade é comovente. As mãos da Inês e da amiga A, à frente da cara, não foram de propósito!)

 

Outras coisas

- há exatamente uma semana a Inês aterrou de costas no chão, o que obrigou a uma viagem de ambulância e a 4 dias de atestado (e a um grande susto até conseguir mexer as pernas)

- o Sebastião está inscrito no 1º ano - quero o meu bebé de volta

- o passatempo do iogurte terminou, sem grande adesão da vossa parte. Logo que possível dou notícias. 

Primeiro molar superior direito

26.05.11

Dói-me a boca. Tenho um dente e um quisto a menos e sete pontos a fechar a gengiva. Tomo medicamentos de quatro em quatro horas e só como sopa fria e passada. Durmo semi-deitada, quase sentada. 

Mas consigo falar. Muito. E isso é o que interessa.

 

Também tenho trabalhado muito e hoje quase me esqueci duma filha na escola por causa de números e cálculos e mais números e tabelas e verificações. Saí  do trabalho a correr e cheguei mesmo a tempo de lhe segurar o quase choro pelo meu atraso. Eu não devia correr, por causa dos pontos. Nem devia ter ido trabalhar. Mas corri. E fui. Porque a vida são estas coisas todas e apesar do esforço, é sempre melhor chegar ao fim do dia com a sensação de missão cumprida.

 

Amor sem limites

04.04.11

Não foi por ter sabido em cima da hora que não "avisei".

E também não foi por isso que não me sentei a ver-me. Estavamos noutra, e fiz de conta que não sabia. Depois, no Sábado, adormeci.

Nem sabia que reptia também ao Domingo e foi um acaso ver-me.

 

(Amor sem limites, Sic Mulher, gravado há uns quatro meses)

 

Agora que já passou, fica aqui para recuerdo:

*Primeira parte

*Segunda parte

 

in coerências

22.11.10

 

Em menos de quarenta e oito horas nasceram dois bebés na família.

As Marias estão histéricas e maldizem os muitos quilómetros de distância. O primo não está nem aí. Gosta tanto de bonecas como de martelos e é o ás do sling. Menino da mamã como é, sofre horrores sempre que me aproximo dum ser menor do que ele. Pergunto-me muitas vezes o que seria desta criança com um irmão mais novo e respiro de alívio por saber que não vai/não vou passar por isso. O meu relógio biológico parou (ufa!) e noutro dia, quando peguei ao colo outra prima muito pequenina, não senti borboletas na barriga nem arrepios nas pernas. Aproveitei o balanço e deitei fora/ofereci/pus de lado para vender, a tralha toda que me atulhava a garagem e a consciência.  

Isto foi agora.

Quando o menino da mamã deixar as fraldas e a chucha, tornamos a falar.

patinar, panicar, chorar e outros verbos da 1ª conjugação

03.02.10

Não gosto nada de me encharcar em medicamentos e costumo resolver os (meus)pequenos achaques com xaropinhos de cenoura, chás de tília e muitas cápsulas de ginseng.

Mas às vezes isto não chega e o flop aconteceu há menos de uma semana quando, a meio de uma renegociação do crédito à habitação, comecei num pranto inconsolável. A minha gestora de conta é extraordinária - trouxe-me lenços de papel, ofereceu-me um cigarro, e fez-me prometer uma ida ao médico. Também se ofereceu para uma tardada com as crianças.

Naquele manhã não ganhei a batalha da negociação mas ganhei o dia e hoje fui ao centro de saúde.

Mal me viu entrar sozinha, a médica (de família e de há muitos anos), constatou o que eu andei a adiar e convenceu-me não só à paroxetina mas também à promessa de pelo menos mais meia hora de sono diário. E eu prometer até prometo.

Também me receitou lágrimas, que chorar em seco custa muito mais.

 

(As lágrimas artificiais são por causa duma sensação que tenho há mais de um mês no olho esquerdo. Parece que tenho um grão de areia e não há meio disto desaparecer. Anyone else?)

Ipomoea batatas

30.07.09

Ontem partilhei no facebook o meu apetite por batata doce. Foi o suficiente para meio mudo supor uma gravidez e isto demonstra bem a conta em que meio mundo parece ter-me. Como se gostar de batata doce, ou apetecer-me comer batata doce, não pudesse ser uma coisa minha. Hello!!!! Mundo!!!! A mim às vezes apetecem-me coisas. Coisas que não incluem bebés nem criancinhas.

 

Como hoje, por exemplo.

O meu filho acordou às 6h05 e já não dormiu outra vez. Tinha bebido um biberão à uma da manhã, hora a que acordou, menos de meia hora depois de eu ter adormecido. São nove e trinta e um e ainda nem sequer bebi café. Mas já gritei tanto, já me irritei tanto, já fiz tanto. Estou aqui sem crianças nem bebés, só eu e o teclado, que nem consigo olhar para o ecrã - doem-me os olhos deste sono acumulado há mais de um ano - e olhem, sinto-me tão bem, este silêncio e o barulho das teclas. As crianças bem entregues, assim o suponho, que escolhi tudo a dedo e pago mais do que posso.

O bebé que não sabe dormir e as marias a amalucar com o pouco que fazer das férias. Hoje porque a Inês beliscou a Carmo que gozou com ela e se riu porque ela foi arrumar os cereais (?)  e a Maria também se riu, mãe, elas estão sempre a gozar comigo.

Eu sem fôlego, aos gritos, (às vezes até tenho medo que me dê uma coisinha má)  - não se goza e não se belisca e se elas te fizerem alguma coisa (e aqui agarrei-lhe o braço com força porque me irritou o facto de ter beliscado a Carmo) é comigo que vens falar! E tu Maria, palavra de honra, parece mentira, a gozares da situação em vez de defenderes a tua irmã. Não me venhas cá pedir para ir à escola defender-te daquelas tipas amalucadas (nunca pediu, nem sei porque disse isto, aliás, sei - ando aqui com uma mãe duma miúda entalada no gasganete). E o bebé que não sabe dormir, e estas miúdas sem tpc´s e tanto tempo livre e o que é que eu vou fazer agora, mãe? Desampara-me a loja, é só o que me apetece dizer, mas não digo, e arranjo mil brincadeiras, cem tarefas, peço-lhes que me ajudem. E elas, tão fofas, ajudam e colaboram e nem desarrumam muito... Já estou a vergar e não pode ser. Estou cansada e furiosa e a precisar muito, muito, dum café e dum cigarro. Não se fuma em frente das crianças.

Tum

06.05.09

Hoje tive um baque.

Foi de repente, no meio dum mar de gente. Fiquei sozinha com tanta gente à minha volta e deixei de ouvir (o que diziam). Agarrei-me à cadeira para não desatar a correr, respirei fundo e senti o baque.

 

Eu não sou daqui.

 

Depois saí , almocei e senti-me estupidamente bem por ter percebido, no outro bocado de tempo, que não era dali.

 

Foi a adrenalina dos últimos dias que me fez baquear. Acumulei cansaços e preocupações, amparei não sei quantas quedas, tratei feridas e até assisti a uma cirurgia, caramba. Havia de dar nalguma coisa e deu nisto. No baque.

 

Agora vou tirar os sapatos e vou-me embora descalça.


Dia(s) da mãe:  O Sebastião caíu da cama da Carmo para o chão. A Carmo deu cabo dum pé que ficou preso na roda da bicicleta da Inês. A Inês ofereceu-me uma compilação de textos escritos por ela -  a mãe chama-se, a mãe nasceu, a mãe casou, a mãe cozinha, a mãe é amiga e a mãe às vezes dá-me estaladas que me doem muito mas eu adoro-a na mesma.

Dou uns tabefes de vez em quando mas não me apetecia ler isto escrito num presente do dia da mãe.

A Maria dois dias murcha, com dores de cabeça e tonturas. Ocorreu-me que lhe faltavam os óculos e tudo se resolveu. A Maria ontem numa pequena cirurgia - menos um sinal e cinco pontos num braço.

 

Fomos ao tetaro, eu e elas. Gostei muito e chorei um bocadinho.

 

O nome e os conteúdos deste blogue estão protegidos por direitos de autor.
© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5