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Mãe-Galinha

Um bocadinho de mau feitio

07.11.08

Para quem ainda não entendeu bem, eu explico:

Aqui o bloguesinho não é bem sobre a vida no geral. Nem sobre mães no geral, ou o cansaço no geral, ou as criancinhas no geral.

É sobre a minha vida, as minhas criancinhas, a minha falta de tempo, o meu mau humor e, às vezes, sobre o clima aqui do Norte.

Uma coisa minha, portanto.

Deste lado

02.11.08

O miúdo pequeno está a dormir há mais de uma hora, já todos jantámos, as 3 marias estão ali ao lado numa risota pegada (tão felizes) e o pai delas está na cozinha, de porta fechada, talvez a beber café e a fumar um cigarro.

Eu devia estar a arrumar as roupas para amanhã ou a passar a ferro ou mesmo a costurar.

Era boa ideia ir vestir o pijama porque daqui a nada adormeço no sofá e depois custa-me tanto ter que me despir no meio dos tremeliques do acordar forçado. Também seria boa ideia tentar saber se as mais velhas fizeram os trabalhos de casa e arrumaram as mochilas para amanhã.

Não posso. Preciso de tempo para mim e dado que a minha vida social se reduz a conversas com enfermeiras que dão vacinas ou mães de coleguinhas das minhas filhas, leio blogs à hora da sobremesa para ter a certeza que o mundo continua a girar. É o que tenho estado a fazer.

Desisti de ver notícias na televisão porque nunca acontece nada de realmente novo - há uma crise financeira no mudo, eleições nos estados unidos e, dia sim, dia não, uma ourivesaria assaltada para os lados de Marco de Canavezes. Descobri uma série maravilhosa sobre a vida dos orangotangos e não quero outra coisa. Também gosto do what not to wear e, ás vezes, da oprah.

Era isto. Ainda não comprei nenhumas botas mas já ando menos neurótica.

Aposto que foi um homem que teorizou: "as hormonas compensam tudo"

04.10.08

O miúdo pequeno é capaz de dormir cinco ou seis horas seguidas durante a tarde mas de noite continua a querer enlouquecer-me e a acordar de duas em duas horas. Há mais de dois meses que não durmo em condições (na verdade, há quase dez anos) e o meu pequeno-almoço tem sido condimentado a ben-u-rons. Dói-me a cabeça.

Não vale a pena virem as teorias do

- dá-lhe banho mais tarde

ou

- não o deixes dormir tanto de dia

ou ainda

- vê se mama em condições de noite.

Obviamente já experimentei tudo e nem sequer me posso queixar por aí além.

Se calhar se lhe espetasse com um biberão pela boca abaixo antes de eu tombar para o lado, a coisa até encarreirava. Mas ainda não estou para aí virada - os dias correm bem e andando metade do dia no carro, é muito mais jeitosa a mama. E o badalo fica-me a matar.

 

O pior é que ando cansada e há alturas em que, não me arrependendo de nada, me apetece desistir de tudo - já não quero ser a mãe-quase-sempre-presente, nem ter o jantar sempre na mesa, nem as roupas mais ou menos arrumadas, nem quero saber do que dão na escola, nem se fizeram os trabalhos de casa e muito menos se as mochilas da piscina ou do ballet estão prontas para amanhã. Quero lá saber se tocam piano ou flauta ou se estudaram a partitura, se a Carmo tem ranho ou se a Inês diz que  lhe doem os pés. Não quero ir procurar mais casacos desaparecidos nem jardinar os canteiros lá de fora.

 

Depois passa-me. Basta um olhar ou um sorriso.

No elevador

15.07.08

com um rapaz que trabalha algures no mesmo edifício que eu:

- Xi... com este calor, aguentas-te?

Bá blá e tal, que nem acho muito calor e tal mas que custa, fim do tempo e tal

E ele:

- Mas estás com boa cara e isso é que interessa!

 

Pronto.

quotas

11.07.08

Além dum filho na barriga que, de facto, não me dá trabalho nem preocupações, há três miúdas com vidas próprias, sonhos, desejos, cansaços, alegrias e tristezas.

Era bom que o mundo, no geral, olhasse também para elas e fizesse de conta, às vezes, que eu não tenho o rei na barriga.

 

Eu própria tenho vida, cansaços que não os da gravidez, frustrações, alegrias, e as outras coisas normais de uma pessoa normal com uma vida normal. Eu gostava que me perguntassem por mim. Não me vou pôr num pedestal mas, sem mim, nada disto seria possível.

 

Era só isto.

Quando o miúdo nascer, eu aviso. Mas até lá, vamos fazer de conta que eu não estou grávida, pode ser?

Isto não é uma metáfora

05.07.08

Perdi uma agulha e estou danada. Era uma agulha nº 3, só tinha uma e esta tarde decidi que precisava de a usar.

Claro que posso sair à rua e comprar uma agulha nº 3 mas nada me tira a fúria de ter precisado da agulha e não a ter encontrado no sítio onde era suposto estar.

Sim, sou arrumadinha e organizadinha e detesto perder as minhas coisas. Algum problema?

De valor

09.06.08

Quem é que, nos seu perfeito juízo, planeia uma gravidez cujo final coincide com o final do ano lectivo?

 

Já desisti de querer tempo e dinheiro. Contento-me se tiver energia.

E, já agora, uns dias de praia antes do miúdo nascer.

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© Rita Quintela
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