Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mãe-Galinha

Coisas de sempre

05.06.08

A capa de argolas que a Inês usa para as partituras da flauta era minha e tem mais de 20 anos.

 

 

 

Ainda hoje gosto de forrar livros e cadernos e acho que nisso as miúdas são privilegiadas. Chegam ao fim do ano com os livros "arranjadinhos" e, não fosse o facto de estarem escritos até mais não,  podiam passar dumas para outras.

 

O ano lectivo começa a acabar amanhã (fim do conservatório) e eu não sei como vou gerir as férias delas a partir do dia 20 deste mês (fim da escola).

Delas

19.11.07
Estão agora a dormir as três no mesmo quarto.
De repente, a Maria passou a ter muitos trabalhos de casa e a precisar de usar a secretária até mais tarde. A Inês a querer dormir de luz apagada, a Maria a precisar da luz acesa, a Carmo na resmunguice continuada do não é justo só eu a dormir sozinha nesta casa.
Desmontada uma cama no quarto que tinha duas e mudada a cama da Carmo que tem outra por baixo, ganhámos um quarto extra para as secretárias, as mochilas, os livros e alguns cestos com brinquedos silenciosos. Já aconteceu estarem as duas mais velhas a estudar e a Carmo a brincar sem fazer barulho. Ou a fazer "uma ficha" na sua mini-mesa. Comprei-lhe uns livros do primeiro ano porque já não aguentava o "também quero fazer os trabalhos de casa!" São exercícios rudimentares, desenhos de formas, tracejados, identificação de números. Nada que lhe possa fazer mal. Mal faz-lhe a mania dos jogos no pc, e nem com um password se deixa enganar:
- Ó Maria, escreve-me aqui no papel as letras para entrar no computador. Depois copia-as, uma a uma, no teclado. Daí aos dois cliques no "e" é um instante e depois já sabe onde está guardado o site dos jogos favoritos.

A Inês tem agora uma flauta nova que custou tanto como um ordenado meu. Foi paga com um cartão multibanco que tem gravado o nome da minha mãe. Foi um investimento e pêras. Haverá frutos.
A Maria está tão gira e grande. Continua a segredar-me os amores e desamores.

À parte das birras que a Carmo agora faz porque
- Eu quero voltar para o meu quarto e já não gosto de estar aqui com as manas, está tudo sobre rodas. Encarreiradinho, como eu gosto.

reflexos

12.09.07
Obceco-me com explicações, tenho pouca fé e gosto das leis da física. A uma força, opõe-se outra, a uma imagem, corresponde um reflexo. É por isto que não tenho estranhado que a cada má notícia dos ultimos tempos me tenha caído do céu uma boa nova.

Para mim quase tudo tem um oposto. Uma força ou um reflexo. Compreendo a física das coisas mas quero crer na força das estrelas. A culpa é da IBB, que sempre opus ao IVV, letras de instituto da vinha e do vinho, um sítio onde eu, quando era nova e antes de me enfiar numa universidade, sonhava em trabalhar. O sonho esfumou-se mas tenho um marido que é gourmet da coisa e até tem uma garrafeira. A IBB caíu-me do céu e nem precisei de sonhar para me realizar. Por isso é que a IBB e o IVV são, para mim, duas forças opostas.

Gostas de vinho, I?
Eu gosto.

Duplicaram-nos as mensalidades dos atl´s e infantários e ainda por cima roubaram a sesta à bébé.

Aos quatro anos ainda se pode ser bebé?

A escola tem casas-de-banho novas e a posso trocar à miúda umas aulas particulares de flauta por mais uma matrícula no conservatório público. A flauta nova custa quase tanto quanto eu ganho num mês. A Carmo ouve tão bem que se pode deliciar com os ensaios, disse-nos um outro médico e dizem-nos as nossas intuições. Ou quase enlouquecer, como eu, quando me apetece mandar às urtigas a importância da formação musical. Elas gostam tanto de musica que me comovo.

Daqui a dois dias começa a escola e ainda não lhes forrei os livros. Mas já comprei o material escolar quase todo e trouxe do jumbo uns ténis das princesas, número trinta e quatro, por cinco euros.

Tenho uma filha que calça trinta e quatro. Qualquer dia podemos trocar sapatos.

Ode à lua

22.03.07
No carro, o pôr-do-sol de frente, só a Inês no banco de trás: (e podia ser uma viagem tão poética....)
- O sol está tão em baixo! - diz ela
- Hum hum...
- A terra gira em volta de si pópria e passa um dia. Gira em volta do sol e passa um ano. E a lua mãe?
- Err.... A lua?
- A lua roda, mãe?
- Err... é capaz!
- Mas vemos sempre o mesmo lado da lua, não é?
- Err... Acho que sim.
- E as fases da lua, mãe?
- Olha ali querida, aquele carro tem uma bicicleta em cima!
- Se uma hora tem sessenta minutos e um minuto tem sessenta segundos, um minuto tem três mil e seiscentos segundos e uma hora blá blá blá...

(pus o rádio no máximo e nem quis ouvir que mais contas estava a fazer)

Ao jantar, eu em conversa com o pai:
- É pá, hoje a Inês perguntou-me uma data de coisas e eu não lhe soube responder... Fico danada comigo própria, sinto-me um bocado burra. Perguntou-me se a lua roda, se vemos sempre o mesmo lado e mais uma data de coisas.
- Ah... Roda pois, a lua roda.
E a Maria:
- A lua tem um movimento de rotação síncrono com o da terra e, por sua vez, acompanha o movimento de translação à volta do sol.*

Entredentes, eu, com o guardanapo à frente da boca:
- Fónix! Onde é que aprendem esta merda toda?

* (sei agora que é um bocadinho mais complicado do que isto)
O nome e os conteúdos deste blogue estão protegidos por direitos de autor.
© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5