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Mãe-Galinha

M9/94

21.01.14

Tirei esta duas fotografias no mesmo dia. Foi no Domingo e só quando as editei é que dei conta das semelhanças das cores e das formas.

De um lado, a Carmo e os caracóis. Quarenta e cinco minutos de uma luta desigual entre mim, o cabelo liso dela, o ferro de enrolar e o secador. 

Há meses que me pedia para lhe encaracolar o cabelo. Há meses que eu adiava com desculpas de falta de tempo. Há meses que me culpabilizava por quase nunca ter tempo para ela. Ora aí estão uns caracóis quase perfeitos, num dia de sol com o tal vento que permitiu que esta fotografia valha muito mais do que o resultado real. 

(No auge do meu desespero por não conseguir mais do que umas pontas para fora, lembrei-me desta técnica que não experimentei nesse dia - não desisti da minha luta -  mas que tenho que experimentar. Se calhar em mim (!), que também sempre quis caracóis)

 

Do outro lado, as pétalas enroladas dos jacintos. É incrível como os vi, literalmente, crescer. Quando cá chegaram eram uns rebentos quase imberbes. Vieram de presente de ano novo, à hora do lanche do dia 1 e, pelos vistos, gostaram da janela da cozinha. Tenho muito orgulho na forma como a relação entre a nossa família e a da Zé cresce e toma forma, devagar, como se nos conhecessemos desde sempre e para sempre, sem pressas nem atropelos (como ás vezes acontece com amizades relâmpago que chegam e nos absorvem e  partem e não deixam quase nada).

 

Notas importantes: A relva precisa de sern cortada. Os canteiros estão cheios de ervas daninhas. A trepadeira está a crescer para cima do telhado do vizinho.

É preciso ter lata

28.07.09

Quando escrevi sobre o novo livro do MST, estava longe de imaginar a onda de solidariedade que aquele post iria gerar. Já li o livro e gostei. Não tanto da forma mas sobretudo do conteudo (não gostei do narcisismo abudante). Mas é um livro bom de ler e de sentir.

Li-o em três bochechos que juntos não fariam uma hora e cada interrupção foi um suplício. O princípio foi na Bertrand, enquanto fazia tempo num destes dias. Depois li o meio numa insónia, num livro que chegou pelo correio, num envelope gordo que também trazia umas sapatilhas, uns collants e um maillot que já não tinham uso. Acabei de ler encostada à janela, o fim num livro emprestado pela Paula que não conheço nem nunca vi.

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Mais do que o exercício de memória, de auto-critica e de tudo o resto, este blogue tem-me trazido pessoas. E eu não sou uma pessoa fácil no que diz respeito às pessoas. Há muitas vezes em que não me apetecem pessoas. 

E há as vezes em que nem sei como agradecer. Às pessoas.

Há duas semanas dei por mim a pensar que era a primeira vez que comprava uma peça de roupa e um par de sapatos ao gordo. Um ano de roupa herdada das irmãs e emprestada/dada por tanta gente. Gente saída da família, dos amigos, dum blogue ou dum mail.

Obrigada! Hei-de ter tempo de pintar latas para todos! Estas já seguiram.

 

(Há na loja, por encomenda)

Beijos e saudades, queridas

10.09.08

A mim, a internet trouxe-me muito mais coisas boas do que coisas más.

Acima de tudo, trouxe-me pessoas. Reais.

Umas mais próximas do que outras, algumas ilusões, algumas desilusões.

 

(Duas das minhas grandes amigas, a Catarina e a Paula, apareceram de trás dum pc. )

 

Não consigo, nem quero, fazer listas de agradecimentos aos mimos que me vão chegando, mas, assim de repente, obrigada às queijadas da Marta, à t-shirt da Joana, à fatiota da Ana, aos bodies da Susana, a paciência da Sardanisca e

 

nunca abracei a Sofia mas comovo-me sempre que visto esta roupa ao petiz.

(hoje)

 

Tudo sem links, de propósito. Este é um post muito pouco virtual.

Como é que

10.08.08

ao fim de oito anos, se passa de "as miúdas" para "os miúdos"?

 

Chatice, isto do macho dominante....

 

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Mas pronto, meti os miúdos no carro, xixis feitos e bebé alimentadinho e fui (é possível viajar sozinha com quatro crianças!!). Três dias fora de casa e quase escrevia "estou como nova". Mas não estou, que me envelhecem as noites aos bocados.

 

As pessoas (também) fazem os lugares. Obrigada.

 

 

 

Sábado

28.04.08

Quando entrei na cozinha lembrei-me imediatamente desta imagem e depois, à medida que me fui ambientando (as miúdas estavam  em casa), tive (outra vez) a certeza que este blogue é a coisa mais autêntica e transparente que existe.

A I. fez cinco anos e nós fomos à festa. Já não nos viámos há mais de seis meses....

A Pal constatou a veracidade do meu estado-baleia, a Maria tem um pulso deslocado e o coração desfeito, a Inês fez uma amiga para a vida (ai Pal, aquele toc-toc-toc-toc das bolas de bilhar não me saíu da cabeça durante horas) e a Carmo foi esfregada com uma escova de aço dos pés à cabeça, tal era a acumulação de lama (estava mesmo feliz).

(Agora preciso de a convencer que fizeram mesmo muitos disparates e que não pode andar na cozinha de faca em punho a esquartejar limões...)

 

Ontem à noite comemos das tangerinas que trouxemos e eu tive um ataque tão grande de saudades que tive que me esconder na casa de banho (estúpidas hormonas).

Dia/Mês/Ano

11.12.07
Pode faltar-me tudo, de motivação a objectivos. Mas a uma verdadeira funcionária pública não faltará nunca uma agenda a cheirar a nova, mesmo antes do último mês do ano chegar.
Eu tenho uma agenda em cima da secretária, onde anoto tudo o que faço enquanto estou no trabalho, e outra na carteira, que me serve de memória (do passado e para o futuro).

Não contente com a entrega da nova ambar A5 um dia por página, corro ao quiosque onde me ainda há português suave azul da embalagem pequena e compro uma agenda só para mim.
Duas agendas em branco e eu quase a ter um ataque de pânico: a um mês do ano que vem, nada a assinalar, para lá das férias da escola delas e um feriado ou outro. Nem as minhas férias têm ainda data certa... Que angustia, tanta página em branco. Eu, com esta organização obcecada.
Pego nas datas de aniversário e duplico-as entre as duas agendas.
Faltam-me algumas.
Faltam-me muitas.
Pergunto. Mailo. Telefono.

Regozijo-me por me ter ainda tão resguardada. Um por cento dos inquiridos não se importou de responder por saber que
"tens mesmo a mania das agendas"...
Aos outros noventa e nove por cento tive que jurar que não ia fazer nenhum quadro em ponto cruz com datas e nomes, nem sabia fazer cartas astrais e ainda que não, no natal não ofereceria garrafas de vinho das colheitas correspondentes aos anos de nascimento.

Parece-me que já ressaquei o fim-de-semana.

24.10.07


Uma festa de miúdas com a família de Lisboa à mistura, mais as minhas amigas, bebés com varicela e muitas refeições.

O veste-e-despe foi tal que, nas minhas arrumações, encontrei um casaco, umas cuecas e voilá! - um livro de orações!
(tudo entregue, menos as cuecas. Não tenho coragem de telefonar às outras mães a perguntar se as filhas perderam as cuecas na festa de anos da minha filha...)



O mais engraçado destas festas é que, ano após ano, são cada vez mais os miúdos que ficam para jantar, por ideia minha. Minha. (Alguém que me dê um estalo, por favor...).
Mas gosto que os miúdos mais chegados fiquem mais um bocadinho, um bocadinho mais calmos. São normalmente os filhos dos nossos amigos e mais meia dúzia daqueles amigos dela(s) que já vêm desde o infantário e que conhecemos bem.

Desta festa, gostei especialmente da independência da criançada que me permitiu alguns minutos de descanso. Gostei especialmente que ela e as filhas tivessem vindo (o blogue, confirma-se outra vez, é o motherblog mais transparente que conheço).Uma das coisas boas das festas dos miúdos é poder (até ver) convidar as minhas amigas.

made in america

28.09.07
A precisar de ser lavado, tanto é o uso. Nunca mais o larguei, desde que me chegou às mãos. A cor e o tamanho são ideais e tanto o uso ao ombro, quando preciso das mãos, como na mão, quando preciso do ombro.

A imagem não lhe faz jus; a foto foi tirada a correr esta manhã. Quando a Carmo me acordou às 6h50mn porque precisva duma caixa para guardar umas missangas, eu estava a sonhar com alguma coisa que me fez lembrar do saco, ou da Méri, ou, se calhar, da Paula. Daí até ter decidido pegar na máquina, foi só o tempo do pequeno-almoço.



Deu-mo a Méri quando fiz trinta e seis anos. É bem capaz de ser um dos sacos da minha vida.
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© Rita Quintela
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