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Mãe-Galinha

Correr

Rita, 17.01.15

Comecei a correr para me superar. Não preciso de emagrecer, tenho alguma flexibilidade, não tenho uma vida sedentária e nem sequer tenho muito tempo livre (para não dizer que não tenho nenhum).

Nos últimos dois anos toda a gente começou a correr e um dia, ao assistir a uma prova, vi várias pessoas muito mais velhas do que eu a cortar a meta com ar de quem acabou de tomar um café. Se elas conseguiam, porque é que eu não haveria de conseguir? Não gosto muito fazer desporto com outras pessoas - detesto zumba, aulas de aeróbica e afins (mas já gostei). De vez em quando costumo nadar à hora de almoço mas sinto-me um peixe num aquário, a fazer piscinas para a frente e para trás. Talvez correr fosse uma boa ideia (isto porque para mim é essencial praticar alguma atividade física) .

No segundo ou terceiro dia das férias do verão passado, calcei uns ténis, peguei nos fones e comecei a andar. Ao fim de dois quilómetros, decidi correr.  Corri trezentos metros e fiquei com falta de ar. Estava de férias, com o meu marido a treinar para a meia maratona e numa casa com muita gente que me via sair para correr. Isto foi decisivo para não desistir. No segundo dia corri um quilómetro. No terceiro, mil e quinhentos metros. E por aí fora. Cheguei ao fim do mês de agosto a correr oito quilómetros sem me cansar. Agora corro duas ou três vezes por semana, às vezes menos, às vezes mais. Não tenho um plano de treinos nem dias fixos ou distâncias predefinidas mas pelos menos vinte km por semana é um princípio. Corro quando posso, mesmo que ás vezes não me apeteça. Ao fim de dois minutos a correr, já só ouço o meu coração e as minhas passadas. Correr ajuda-me a ouvir-me a mim própria. Também ouço musica quando corro - ouço uma rádio que as minhas filhas ouvem sempre e que tem uma playlist bestial para a corrida - por um lado as músicas são, falta-me o termo, ritmadas (?), por outro, são tão más que quanto mais depressa cumprir o tempo ou distância que defini para aquele treino, menos tempo tenho que gramar com aquilo. 

Gostava de conseguir correr de manhã, antes de ir trabalhar. Mas não consigo, é uma coisa física - o meu marido consegue comer um iogurte e uma maçã e corre antes do pequeno almoço. Eu sou incapaz. Pequeno almoço, segundo pequeno almoço e café. Depois, sempre um iogurte no aquecimento. Não sei se é saudável ou não, se faz mal ou bem. Nem quero saber - funciona comigo. A minha melhor hora é o antes do almoço (mas com os tais dois pequenos-almoços) ou o antes do jantar. No verão é difícil correr antes do almoço (por causa do calor) e no inverno é difícil correr antes do jantar (porque está escuro e porque antes do jantar é o período do dia mais atribulado da gestão das pessoinhas).

Em 2015 gostava de conseguir terminar uma meia-maratona.

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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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