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Mãe-Galinha

A CATEQUESE

20.10.04
Eu não fazia grande questão mas tanto o pai como a tia G. (que é também madrinha dela) gostariam que a Maria começasse a ir à catequese.

Somos católicos, pouco praticantes, mas, no que me diz respeito, preciso de acreditar que há, algures, um anjo-da-guarda que vela por nós. Quanto à Igreja em si, não vou tecer comentários. E penso que se a Maria começasse a catequese no próximo ano, não haveria grandes calamidades.

Decisão tomada, com consenso e sem unanimidade, no Sábado lá fomos. Havia uma cerimónia de acolhimento às crianças, na Igreja, presidida pelo Padre, acompanhado pelas senhoras catequistas. Houve cânticos e orações, houve recados e houve confusões...



Não é possível manter em silêncio tantas crianças. Creio mesmo que nem Jesus gostaria de ver assim os miúdos, tão paradinhos. E não se diz a crianças tão pequenas que um dia, quando morrerem, vão para o pé de Jesus. (Ai é? - sussurou-me a Maria). E muito menos se tecem comentários infelizes como este: "Viesteis aqui ......acompanhados pelos vossos pais e pelas vossas mães, mais mães do que pais, porque alguns pais já devem ter morrido e os meninos, coitadinhos, são orfãos". Aqui a Maria não se conteve "Morreram? Porquê?" E eu, sem reposta, senti-me deslocada dali e prestes a desistir daquela minha missão. Resisti. E segui obedientemente a senhora catequista do primeiro ano, levando pela mão uma Maria confusa. Enfiaram mães e crianças (que os pais, esses, coitados, já tinham partido) numa sala de uma cave, abafada, sem janelas. Uma sala pequena demais para 40 crianças em idade de transbordar de energia. E a voz da catequista, intercalando a frase com shius para manter a ordem, fez-se ouvir:"Fazem o favor de chegar a horas e de trazer uma mochila para a catequese, com um estojo para a catequese. E as mães não me venham dizer que não há dinheiro para uma mochilinha que eu cá não acredito!" (e vai esta senhora ensinar à minha fillha os princípios básicos do catolicismo!)
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© Rita Quintela
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