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Mãe-Galinha

AFINAL O TÍTULO É OUTRO

Rita, 10.03.05
Carrego um saco de compras e três crianças. Enfio o saco e as crianças no carro, sento-me, ligo o carro, a minha mãe abre a porta do passageiro para me perguntar não-sei-o-quê. Eu, provavelmente, respondo mal. Ela irrita-se e fecha a porta com força. O vidro cai para dentro da porta. São sete da tarde e não está calor. Seguimos para casa de vidro aberto e com o vento a gelar-nos as ideias. Carro na garagem, vidro puxado para cima e preso com fita-cola. Aguardamos a ida à oficina esta tarde.

Esta manhã, a Carminho e a Inês vão às Vacinas. Procedimento mais do que rotinado para quem três crianças. Chego ao Centro de Saúde às nove menos dez e dirijo-me ao guichet habitual.
- Bom dia! Venho com as minhas filhas às vacinas - digo com ar bem-disposto, disposta a conquistar a simpatia da senhora.
- Ah... Mas já não é aqui.
- Ai não? - perguntei à espera de novas indicações
- Não.
- Então onde é?
- Vai por aqui e depois por ali e blá blá.
Fui.
- Bom dia! Venho para a vacinação infantil.
E, sem resposta ao bom-dia, recebo:
- Quem é o médico de família?
- É a dra. MC. Mas as miúdas não são seguidas aqui.
- E marcou?
- O quê?!
- As vacinas...
- Não
- Então não pode ser.
Mau mau. Isto promete... Tento manter a calma e replico:
- Mas antes não era preciso marcar! E eu estive aqui há dois dias na consulta e não vi essa informação afixada em lado nenhum!
- Mandámos um anúncio para o Diário de Aveiro.
- Ah... Não leio. Só leio Proust (isto não disse, mas apeteceu-me). - e continuei:
- Mas há alguma marcação para agora?
- Não sei. Vou ver com a enfermeira.
Entretanto, chamam pelo intercomunicador
- "Maria do Carmo .."
Vá lá, pensei.
Entramos. A enfermeira simpática torna a explicar a história das marcações e completa:
- Mas como não há ninguém marcado, vamos a isto.
E fomos. Duas picas e as gotas na Inês, uma pica na Carminho, poucas lágrimas, e, ao fim de cinco minutos estávamos de novo na rua.

Entretanto, já no carro, toca o telefone. Vou para atender e não vejo nada no display. Tudo preto. Atendo. É o Edmilson, essa misteriosa personagem que anda há mais de um mês para ir resolver um problema eléctrico do exaustor lá de casa. Ou seja, já não me bastava o vidro do carro e a saga do Centro de saúde, ainda estou com o telefone nestes preparos!

Chego ao trabalho, ligo para a oficina, entretanto ligo para o seguro, não vá isto ser imputável. Envio um mail com um pedido de solidariedade, a ver se alguma boa alma me empresta um telefone até eu comprar um novo e não é que esta menina, a 300 quilómetros de distância, me fez chegar um Nokia em meia hora? (via esta querida)? Valham-nos as amigas, que o resto está complicado!
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