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Mãe-Galinha

Da série "Aveiro continua a ser uma cidade esquisita"

Rita, 09.10.07
A saga continua e parece não ter fim.
Mas quem me manda a mim dizer que gosto de desafios, de ser posta à prova, de vencer dificuldades?

.........................

Entretanto, fui de férias e voltei e passou-se um mês sem que houvesse resposta ao tal e-mail enviado ao vereador.

A 3 ou 4 de Setembro liguei para a Câmara:
- Pois, sabe como é, mete-se Agosto....

Muito gosta este país que se lhe metam coisas. É um maricas, este país. Mete-se agosto, mete-se o fim-de-semana, mete-se o natal. E sempre que se lhe mete alguma coisa o sistema pára, um orgasmo gigantesco que o deixa num suspense de inactividade.

Meteu-se, portanto, Agosto, esse mês em que quem não trabalha está de férias e em que se faz de férias quem trabalha. Eu, antes da maternidade, nunca queria as minhas férias em Agosto. O calor abrandava-me as práticas e até cheguei a ter o "mete-se agosto" na ponta da língua para salvaguardar os meus deslizes laborais.

Consegui convencer a senhora da câmara que já estávamos em Setembro e se me podiam resolver a questão com alguma rapidez. Eis senão quando consigo chegar à fala com a secretária do senhor vereador que não me respondeu ao e-mail que, simpaticamente, me pediu para reeencaminhar o pedido para a divisão de trânsito.

Reencaminhei.

No mesmo dia (repito, no mesmo dia), responderam-me o seguinte:
"Para cumprimento do solicitado, vimos informar que o Regulamento de Estacionamento de Duração Limitada e Utilização Onerosa, actualmente em vigor, foi aprovado pela Câmara Municipal em 24 de Junho de 1992 e pela Assembléia Municipal em 28 de Julho de 1992.
É o que me cumpre informar."

Coisa que eu já sabia. Eu quero é a merda do papel! Do tal regulamento de mil novecentos e noventa e dois.

Perguntei.
Respondeu:
"Poderá obter o documento nos Serviços Administrativos da Assembléia Municipal ou no Departamento Jurídico desta Câmara Municipal."

No final do expediente lá vou a trote até à Assembleia Municipal, antes que fossem 4 da tarde e aquilo fechasse. (Porque, como se sabe, a maior parte dos serviços públicos com atendimento funcionam a horas muito convenientes).

- Ah... Não menina, não é aqui.

(Mas eu, que sou muito esperta, tinha levado um print do e-mail!)
- Ai não? Mas olhe que eu tenho aqui um documento escrito pelo doutor coiso e tal que me informa que é aqui que me devo dirigir!
- Deixe ver! ... Pois... mas deve haver aqui um equívoco. O melhor é ir à câmara.
- Mas agora já passa das quatro...
- Vai amanhã
- Mas eu trabalho! Não posso passar a vida dum lado para o outro por causa (duma merda) dum pael que ninguém sabe bem onde está
- Pois...

No dia seguinte voltei a ligar para a Câmara.
- Departamento jurídico? Aqui na Câmara?
- Sim... pode passar-me a chamada?
- Mas num estou a ver... Só se for a doutora xixicocó. Vou passar à secretária...

Lá expliquei ao que ía.
- Então a senhora, se não se importa, faz o pedido por escrito para a doutora.

Acabei de o fazer.
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© Rita Quintela
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