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Mãe-Galinha

Confissões

Rita, 04.07.06
Às 4h da tarde de Sábado eu estava a dormir e só acordei quando a Carminho exclamou
- Mãe! Já dumi tudo!
Claro que eu sabia que àquela hora havia um jogo de futebol.

Havia um silêncio tão grande, as mais velhas a ver um filme, a Carminho enroscada em mim depois de acordar, a gata esparramada no pátio. Não me atrevi a um murmúrio sobre o jogo, pus a mesa para o lanche e depois das torradas saímos de carro. Não passámos por ninguém e encontrámos a florista de olhos postos na televisão. Depois assentámos arraiais na casa que às vezes nos serve de camarim.

- Ó mãe - disse eu para a avó delas - estás assim nervosa por causa do jogo?
- Estou pois! Isto enerva-me. Tu não vens ver?
- O quê?
- Os penalties!
- Ai é a penalties? Já vou.

Não fui, que tinha tutus e totós para arranjar e começava a não ser capaz de agarrar o tempo. O tal Ricardo agarrou as bolas e isso eu vi depois e até achei graça. Gostei de lhe ler nos olhos a ausência de angustia antes do penalty. Eu dantes via os filmes do Wim Wenders mas agora não consigo

Depois Portugal ganhou, a cidade entupiu-se e eu tive que transgredir não-sei-quantas regras de trânsito para que as miúdas dançassem a horas.
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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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