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Mãe-Galinha

CATORZE MESES E DEZASSEIS DIAS

Rita, 18.11.04
Acredito que inconscientemente, por ser a mais nova, esteja a ter um tratamento diferente daquele que demos às irmãs. O amor é o mesmo, o nosso amor pelas nossas filhas não tem medida, é igualmente imenso.

A realidade é que esta pequena é literalmente uma fundamentalista. Mea culpa?

Tantas vezes lhe dei colos desmedidos (se é que há colos a mais), sentindo que talvez não venha a ter mais filhos (que três já não é pouco), tantas vezes a não deixer sequer gemer, quanto mais chorar, por achar que assim perpetuava aqueles momentos de paz e serenidade, tantas vezes quis tê-la enroscada em mim, aquardando que não crescesse muito depressa, porque outro bébé estava fora de questão... As lágrimas que chorei quando deixei de a amamentar, o difícil que foi passá-la para o quarto dela, enfim, uma filha com um cordão umbilical gigante.

Acredito que seja por tudo isto, aliado ao mau-feitio que, dizem as más línguas, terá herdado da mãe, que consegue transformar num pesadelo alguns dos momentos mais simples da vida de uma criança pequena. A saber, vestir, comer e brincar. Detesta vestir-se, para comer é preciso um circo (ah... velhos tempo, comia tão bem, gabava-me eu) e para brincar precisa que o resto da família se mentalize que aqueles centímetros de gente são o centro do mundo e, em roda de quatro, lhe façam gracinhas para que se entretenha.

Felizmente continua a dormir bem e um numero de horas razóavel para que, também a nós, o sono nos leve o desgaste desses momentos.

Tento viver tudo isto com calma e sorrisos mas nem sempre é fácil. Comparo a Carminho e esta sua teimosia às irmãs e tenho a certeza que não eram assim. Lá tinham os seus momentos mas não me tiravam do sério com esta idade. Bem sei que não posso comparar; não devo. Mas comparo. Todas as mães o fazem.



No fim de tudo, de todas as rabujices e teimosias, no fim daquele fundamentalismo que a faz gritar, de boca aberta e cabeça atirada para trás, se a pego ao colo, encosta a cabeça no meu ombro e embala-me, ela a mim, com um ó-ó-ó-ó tão doce que me verga de novo. E o ciclo recomeça. Mea culpa.
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© Rita Quintela
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