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Mãe-Galinha

DESLIGADA

Rita, 06.12.04
Uma semana desligada do mundo. Foi assim que me senti, a viver na dimensão dos caixotes cheios de tralha, na dimensão do desespero por não encontrar o fato de banho da Inês, os collans do ballet da Maria ou o gorro cor-de-rosa da Carminho. Vivi durante uma semana num limbo que só agora consigo rever; agora, à distância.

Encaixota de um lado, desencaixota do outro, encaixota as miúdas em casa da avó, desencaixota-as na casa nova, já com os brinquedos no sítio e as camas feitas com os mesmos edredãos da casa velha.

- Ó mãe... mas como é que trouxeram as camas?

A grande preocupação delas eram as camas. A cómoda do meu quarto, enorme, pesadíssimas, o frigorífico, o louceiro, tudo coisas enormes, não lhes interessou de que forma foram transportadas. As camas delas, o conforto delas, isso sim, dizia-lhes respeito.



Sem internet, sem telefone, sem televisão. Nem numa casa nem na outra. Sem vir ao trabalho, quase sem dormir, a valer-me da preciosa ajuda da minha mãe que durante estes dias cozinhou para toda a família e tomou conta das miúdas. Quase sem dinheiro, que isto de mudar de casa são despesas e mais despesas.



Estamos todos muito felizes e com quase tudo arrumado.
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© Rita Quintela
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