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Mãe-Galinha

CORRERIAS

10.09.04
Hoje já é sexta-feira mas o dia de quarta foi tão confuso que merece relato, mesmo que atrasado.



Há uns tempos, quando perguntámos à Maria se não tinha pena de não ter mais aulas de música, ela pediu para aprender a tocar piano.

As aulas de piano são caríssimas. Impossível. OK, podemos tentar o conservatório... E em Junho, lá fui inscrevê-la.

Ora na passada quarta-feira, às 10h, estavam marcados os primeiros testes de aptidão.

Quando li no placard a expressão TESTES DE APTIDÃO pensei: "Testes de aptidão???? Para uma criança que ainda não tem 6 anos e nunca se sentou em frente a um piano? Mas eu pensava que era I-NI-CI-A-ÇÃO."

Não quis criar grandes expectativas à miúda. Havia 55 inscritos para 15 vagas. Disse-lhe que era um jogo, que ía falar com uns professores, que se calhar havia meninos que já sabiam tocar; enfim, tentei não a desencorajar. Deixámos as manas no infantário e fomos. Havia meninos e meninas, uns maiores que outros, uns com partituras na mão, outros que nem português sabiam falar. Lá os chamaram; um a um, íam subindo uma escada, uns mais ansiosos do que outros, a Maria cheia de corajem mas a perguntar-me: "Ó Mãe.... Lá em cima está escuro?" E eu a responder, sem saber: "Não! Claro que não! Lá em cima há pianos!"

Desceram ao fim de uma hora. A prova consistia em assinalar numa folha de resposta se os sons que íam ouvindo eram iguais ou diferentes. Pelo menos foi isto que ela me explicou. No meio do burburinho dos miúdos, uma voz anunciou:

- "Às 16h30 afixamos os resultados e os horários para amanhã, no caso dos que forem aprovados"

Eu, de coração apertado, a pensar no stress a que estava a sujeitar a criança e a perguntar-lhe "e então, acertaste tudo?" "Sim, acertei em todos. Era um jogo muito giro. Amanhã quero vir outra vez!"

Oxalá que sim, pensei.

Com isto eram 11h30. Levei-a comigo para o trabalho até à hora de almoço. À tarde ficou com a avó. Eu tinha uma consulta no dentista. Ainda passei pelo emprego, tenho estado sózinha, com uma colega de férias e outra doente; o trabalho acumula-se mas o sistema não entende que uma não é o mesmo que três. Ainda por cima contrariada com o horário.

No dentista tive direto a uma dose de anestesia que me deixou de pálpebra murcha e boca ao lado. Às 16h30 estava despachada e eis-me de volta ao conservatório onde afinal a rigidez da selecção não se espelhou na rigidez do anunciado horário. Os resultados foram afixados às 17h20. E eis a Maria na 2ª fase! Que foi ontem e ao que consta, correu muito bem: "Ainda foi mais giro do que ontem! Até cantei uma canção!" Aguardemos por dia 16, sem muitas expectativas.

Estando assim o dia a terminar de forma agradável, ainda havia uma dura etapa a cumprir - a consulta de rotina da Carminho na pediatra. Enquanto levava a Inês para casa da minha mãe pensava: "Mas por que raio é que é tudo HOJE?". Ainda fui a casa, adiantei o jantar para o pai terminar, dei um pote de fruta à pequenita e lá fomos. Eu já esperava o sermão:

- Ó Ritinha... Esta miúda já nem tem percentil. Dieta! Estamos de dieta. Nem papas, nem pão, nem bolachas, nem leite durante a noite.

- Mas há meses que ela não come nada disso! Acha que ela está mesmo gorda?

- Não. Gorda, não está. Mas está... gordinha! Temos que ter cuidado.

- E faço o quê?

- .............. pediatra a pensar...............

- Olhe, não faça nada. Quando ela começar a andar, logo emagrece.

(Para que conste: 12 meses, 76 cm, 12 quilos)

E de resto, a menina está boa e recomenda-se. Chegámos a casa às 20h00, ela cheia de fome e de sono, eu cheia de stress, que dias destes não existem!
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© Rita Quintela
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