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Mãe-Galinha

Paris, Maio de 2013

Rita, 02.05.13

Deito-me tarde e levanto-me de madrugada. Preparo-lhe refeições para um dia de viagem, ajudo-a com a mala, repito-lhe mil conselhos até à exaustão. Acalmo-lhe os nervos disfarçados e disfarço as minhas angustias. Nunca deixarei de deixar os meus filhos voarem. Só assim lhes crescerão as asas.

Se me custa? Custar-me-ia mais que se tornassem em pessoas resignadas à sua sorte, paradas no tempo e no espaço. 

Conto sempre as horas que faltam para o regresso, vou fazê-lo sempre, seja onde for a nossa casa. Há-de haver sempre a nossa casa.

Ainda ontem à noite confessava à minha filha mais velha, a mesma que a esta hora me envia mms da torre Eiffel iluminada e me diz baixinho "é muito maior do que eu imaginava", que só o medo de um dia lhe ocorrer não querer voltar me angustia mais do que as saudades.

- Que tonta, mãe. Eu vou SEMPRE voltar a casa. 

Nuns quase quinze bem resolvidos, sei que mais estes dias valem tanto com um trimestre de aulas. 

Já escrevi isto outras vezes e não me cansarei de o fazer - o mundo é teu, Maria.

 

Temos o privilégio duma escola (pública) que valoriza estas experiências de vida e tem apoiado a mobilidade dos miúdos em projetos fantásticos. Esta viagem, apesar de financeiramente suportada pelas famílias (e amigos que quiseram contribuir!) foi totalmente organizada por um extraordinário grupo de professores que estão, neste momento, a abrir horizontes a 58 miúdos. A troco de algumas preocupações e noites mal dormidas. Isto chama-se boa vontade.

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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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