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Mãe-Galinha

A DANÇA DAS MÃES (e dos pais, dos avós e de todos quantos acreditam nas paixões dos filhos)

Rita, 16.07.12

Esta é a dança das mães de filhas meninas bailarinas (quase todas as mães sonham com filhas meninas bailarinas).

As mães trazem as filhas pequeninas enfeitadas com laçarotes e tutus. Um dia, as filhas pequeninas ficam um bocadinho maiores e acordam enfeitiçadas.

De repente as mães também dançam e não conseguem sair da roda. O sonho das mães transforma-se em paixão das filhas e a vida enrola-se em fitas e elásticos. Às vezes em arames.

Somos as mães (e os pais, tios e avós) de meninas bailarinas. E de meninos.

Fazemos piruetas com o tempo, rodopiamos os filhos de cá para lá e de lá para cá, projetamos neles os nossos sonhos e afastamos os piores pesadelos.

Doemo-nos com o ar exausto, com as bolhas nos pés, às vezes com as lágrimas. Mas não as deixamos vergar, dizemos-lhe que passa, que os sonhos têm preço, que o esforço compensa.

 

Alonga. Inspira. Expira. Flete a angústia. Estica a paciência. Flete o medo. Estica a esperança.

 

Fazemos contas à vida, aos sapatos, aos fatos, ao que nos custa este sonho. Delas? Nosso? O que é que nos faz dançar? O que é que as faz dançar?

Escolhem a paixão.

Fazem-se rijas, determinadas, pacientes e persistentes.

Nós, mães, dançamos ao ritmo dos sonhos delas. Temos dúvidas, não sabemos o caminho, queremos que sejam felizes, que continuem a dançar e a fazer-nos sonhar. Às vezes queremos ser como elas. Outras vezes queremos que elas sejam como nós.

Misturamo-nos: pas de deux.

 

(post dedicado)

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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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