Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Mãe-Galinha

Sanduiche de jingombéle

Rita, 14.12.11

Não sei como fazem as mães dos outros filhos para gerir a segunda semana de Dezembro. Na verdade eu própria não sei como faço porque exatamente a meio da tal semana (hoje) estou num limbo entre o acordada e o a dormir, com o cérebro naquela posição que não permite a consciência das ações. Só quero que sexta-feira chegue depressa e que não me venham também os diretores de turma querer entregar notas para a semana e estragar-me o barato das férias condicionais. Vou ter malas para fazer, presentes para embrulhar e quatro crias em casa a atazanar-me o juío (nota mental - imprimir milhares de fichas). 

Desde Domingo, e vão três dias, já perdi a conta aos quilómetros que fiz nesta cidade, às audições e festas a que assisti, aos ensaios a que levei uma, duas, três Marias, com o rapazinho atrelado. Ele sempre comigo, com uma paciência que só pode ter herdado do pai, entra e sai e vê as irmãs e os amigos das irmãs, janta tarde e a más horas, nem sei se tem tomado banho, elas acho que sim, espero que sim, pelo menos têm mudado de roupa - A vida continua fora de horas, há roupa para lavar e comida para fazer. Há até muito mais roupa para lavar, note-se. Que aqui é uma camisola verde, agora camisa branca e calças de ganga, logo à noite é tudo preto, ok, mãe? Tudo para lavar, que dobrar e pôr no armário dá-lhes trabalho.Mas tá tudo transpirado, mãe... Fartei-me de cantar/tocar/dançar/rebolar. Óquei, óquei, deixa estar aí no cesto. Espero que adormeçam, tiro do cesto, sacudo, dobro, borrifo de brise* e siga. Sempre se poupa na água e na luz não indo à máquina; o trabalhinho é o mesmo. (Mas não ia dizer a uma pré adolescente que nem sempre quer tomar banho que não lhe lavo a roupa suada do esforço).

É nestas alturas que compreendo o que deve sentir um filho do meio, ensanduichado entre os irmãos. Euzinha ando entalada entre o orgulho das crias e a vontade que me desapareçam da frente com os seus inúmeros talentos que me fazem saltitar de escola em escola, de palco em palco e de lanche em lanche. Tenho arritmias com o pânico de não conseguir chegar a horas mas dou por mim em preces para que se fure um pneu que me desculpabilize o atraso. Vivo entre o espírito de natal e um desejo de espiritismo que me faça desaparecer por uns dias.

E entretanto, há o Natal. O da família, dos jantares com amigos, compotas para a troca e presentinhos feitos em casa. Encaixo estas vidas numa agenda cheíssima, roubo horas ao sono, pareço um zobie olheirento, não durmo mais do que cinco horas por noite, mas trauteio jingombeles a toda a hora.

 

* mentira

O nome e os conteúdos deste blogue estão protegidos por direitos de autor.
© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

10 comentários

Comentar post