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Mãe-Galinha

Para as Marias

Rita, 18.10.11

(espero que quando o Sebastião já souber ler, tudo isto já tenha passado)

 

Filhas:

Sempre vivemos a contar os cêntimos a meio do mês, já vivemos muitos meses só com um ordenado, o pai nunca teve subsídio de férias nem de natal. Aliás, este foi o primeiro ano em que o pai teve férias pagas, sabiam? Estes direitos deviam ser universais, mas não são. Assim como o direito à educação, à saúde, à cultura e à informação.  

Sei que já ouviram falar da crise, do défice, da troika, do fundo monetário internacional. O facto é que portugal está afundado em dívidas e sem dinheiro para as pagar. A culpa é de muita gente, de anos de desgoverno, e agora quem paga somos nós todos. Para pagar o que devemos, o estado tem que arranjar formas de poupar o dinheiro que gasta e de aumentar o dinheiro que recebe. É por isso que há cortes nos vencimentos e aumentos nos impostos, por exemplo.

Há medidas justas, outras nem por isso e não vão ser fáceis, os próximos tempos. Quero acreditar que este esforço não vai ser em vão e que um dia nos vamos poder orgulhar deste país. As vitórias sabem muito melhor quando o esforço é suado (sabem disto melhor do que eu, calculo).

Penso muitas vezes no dia em que eventualmente me dirão que vão sair do país à procura dos vossos sonhos. Serei a primeira a incentivar-vos. O mundo é vosso! Mas quero que sintam este lugar como a vossa casa. Bom ou mau, perfeito ou imperfeito, gostava que aqui fosse o sítio dos natais e das férias e dos cheiros a bolo de chocolate e a empadão.

Não é o meu ideal de país mas é a nossa casa. É o país pelo qual os vossos avós lutaram e sofreram. E houve tiros e prisões, guerras, ditadores.

Eu acredito no 25 de abril e acredito no futuro e é por isso que nos últimos dias me tenho enfurecido com a indignação sem solução. Mais do que criticar é preciso agir. Há um conceito que anda um bocado esquecido e que se chama crítica construtiva.

Sei que talvez a nossa vida melhorasse se saíssemos daqui por uns tempos. Mas os ganhos compensariam as perdas? Os amigos, a nossa casa, a família... Seríamos felizes? Seriam felizes, vocês? Não sei e prefiro não saber.

Portanto, mãos à obra. 

Não vamos só poupar na água e na luz e andar mais a pé. Vamos reagir e, mais uma vez, dar a volta por cima.

Quero que cada uma de vocês pense "o que é que eu posso fazer para ajudar o meu país?" e ponha as ideias em prática. Em casa, na escola, onde quiserem.

Sabem que estou estupidamente orgulhosa por todas serem delegadas de turma? (é um princípio para a boa cidadania). Mas ser delegado de turma não é só ir buscar o livro de ponto. É preciso provar que merecem a confiança que os vossos colegas têm em vocês. Pode ser pedir a palavra numa aula de formação cívica e apresentar IDEIAS. Dessas ideias podem nascer outras, e outras. E ações. Mesmo que vos pareça que remam contra a maré, não desistam. Nunca. Um pequeno gesto pode fazer a diferença.

Podemos não conseguir virar isto ao contrário mas se vivermos com a consciência de termos tentado, seremos muito mais felizes. 

Vocês têm asas!

 

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© Rita Quintela
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