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Mãe-Galinha

22 de Julho

Rita, 22.07.11

Hoje o Sebastião faz três anos e eu não sei o que hei-de escrever.

Que seja,

já não é um bebé. Mas ainda é.

Ou

já é um rapazinho, e também já é.

Que se porta bem, e às vezes porta, que faz birras, e faz

e é, portanto, uma criança de três anos quase como as outras.

Quase.

Não é como as outras porque tem um je ne sai quoi de comovente nele todo, um misto de timidez com uma aura de alegria imensa que nos faz bem, como se fosse a missão dele, envolver-nos de paz.

 

E outro lado, o das teimosias, põe-te direito enquanto te visto, calça os sapatos, come a sopa, não mexas nos filmes, mas porque é que estás outra vez descalço, não comas com as mãos, não faças isso ao gato, arruma a %$##& dos filmes, mas porque é que estás a chorar, e as birras...

é a mãe qui guia!*

quéio ir ao pingo doce*

não quéio tomar banho

quéio tomar banho

Vês, que lindo, tão lavadinho, cheiras tão bem!

Sou lindo, pois sou, mãe?

És.

E:  já não vou pá tua cama, qui já xou quechido.

Mas vai, sempre. A almofada na mão, a chucha na boca, o cheiro a borracha velha, a mão no meu pesoço, o meu sono interrompido.

Três anos.

Só quer um pisenti vêdi*, mãe. Não interessa o conteúdo, só que seja verde.

E um bolo do faísca e do ruca e do noddy e do pocoyo. Puqué qui num tem o pocoyo, mãe?

(uma semana a tentar encontrar um estupor dum pocoyo...)

Porque o Pocoyo foi a casa da Eli.

Tá bem, mãe.

Tá bem, bebé.

Eu num xou bebé, oquêi, mãe? 

A chucha na boca, o biberão do leite em cima da mesa, a fralda da noite ainda por tirar.

 

 

* três grandes incógnitas - a mãe a conduzir, em vez do pai, e o fascínio pelo pingo doce e pela cor verde. 

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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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