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Mãe-Galinha

Ainda bem que tenho ali um bocadinho de auto-estima no congelador

Rita, 03.03.11

Tive sorte - noutro dia fui ao Corte Inglês, apaixonei-me por um vestido e pude comprá-lo. Estava em saldos, o preço inical tinha mais do que 3 dígitos e paguei 29 €.

Acontece que o vestido é de cavas e que o quero vestir no batizado do ano, que é para a semana (batizado? baptizado?) . Preciso dum casaco, peço um emprestado, saco outro do fundo do armário e reservo o terceiro numa loja. À noite enfio vestido e saltos e desfilo no quarto das Marias.

O vestido tem folhos. Pequeninos.

Ainda antes de perguntar fosse o que fosse acerca do casaco, uns olhos azuis saem de trás dum livro e

- ó mãe... palavra de honra. Qué esse vestido? Pareces um peixe!

 

(um peixe?!! Ela outra vez escondida atrás do livro. Sempre os livros. Eu tenho ciúmes dos livros que ela está sempre a ler. Se calhar os folhinhos fazem lembrar escamas...)

 

- Inês, achas que eu pareço um peixe? 

- Não mãe, o vestido é lindo.... Tu é que és horrorosa Maria (filhinha querida da mãe).

Vá lá meninas - este casaco? (pausa para despir e vestir) Ou este?

Esse não, o outro. Não, com esse pareces uma velha. O outro. Não, por causa dessas lantejoulas.

Recuo. Devagar. Até amanhã.

Mil vezes a simplicidade dos homens:

- Melhor este ou este?

- Este.

- Pareço um peixe? A Maria disse.

- Não.

- Ok. Manda-as apagarem a luz.

Tenho ouvidos de tísica e ouvi-o:

- Ó Maria, foste dizer à mãe que ela parecia um peixe? Parece mas é uma lagosta!

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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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