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Mãe-Galinha

Financiar o ensino privado?

01.02.11

 Imagem daqui

 

Concordo em absoluto com o ensino privado que se baste a ele próprio. Agora eu pagar impostos que servem para financiar escolas privadas que funcionam melhor do que as escolas públicas onde andam os meus filhos? Não. Onde pode acontecer não se pagar rigorosamente nada e que estão ao lado de escolas públicas? Não. O Estado tem que garantir educação gratuita de todos. E para o fazer, houve um tempo (1980) em que as escolas públicas não serviam as necessidades das populações. Então o tal Estado foi junto DALGUMAS escolas privadas e propôs os contratos de associação. Essas escolas passaram a receber financiamento directo do Estado e a funcionar em regime gratuito (ou quase). Entretanto construíram-se escolas novas, fecharam-se outras, o país envelheceu, ficámos todos mais pobres e entrámos em crise financeira. Mas antes do entretanto, OUTRAS escolas privadas às quais não foi proposto o contrato de associação, chegaram-se à frente e pediram-no. O Estado, mal, aceitou. Ficaram assim algumas escolas, chamemos-lhes não-essenciais, com contrato de associação .

Sejam A as escolas públicas e B as privadas subsidiadas. Conhecendo o país que temos, e as razões da maioria na escolha duma ou outra, as privadas subsidiadas enchem que nem marés de S. Bartolomeu.

Uma privada gratuita ao lado duma pública e garantias de, e passo a copy-paste das dezenas de comentários ao mini-inquérito que lancei no Facebook, melhores condições físicas, maior estabilidade do corpo docente, melhores métodos de ensino, maiores índices de confiança, maior grau de elitismo, melhores círculos de amigos, melhor rácio adulto/criança, mais apoio no estudo, horários mais alargados, melhores resultados, maior comodidade nas actividades extra.-curriculares, melhores bases no 1º ciclo, melhores refeições e maior grau de exigência, levam à escolha óbvia do privado.

E isto, às vezes,  sem pagar um tostão.

(Reparem que continuo a não equacionar as escolas que, sendo privadas, prestam serviço público. Falo das outras, daquelas para as quais existe alternativa.)

Nós, os pobres, a financiar o elitismo, a segurança e as outras garantias todas, enquanto os nossos filhos frequentam escolas sem aquecimento, cheias de rufias e com professores para lá de desmotivados.

E porque é que os nossos filhos não andam nessas escolas privadas? Não sei responder por todos mas no meu caso porque acredito que é dever do Estado financiar a escola dos meus filhos e porque quero muito acreditar no ensino público. Não sei se, tendo muito dinheiro, colocava a hipótese do ensino privado. Só se fosse mesmo pela única razão da melhor gestão do tempo entre actividade escolares e extracurriculares. Ou seja, só se fosse por motivos externos à escola em si. Pagaria pelo conforto. Isso talvez.

 Hoje em dia, grande parte das escolas com contrato de associação não faz qualquer sentido.

Se perguntarem aos pais envolvidos o motivo de tanta polémica, aposto que grande parte não sabe nem percebe porque é que, de um momento para o outro, tem que passar a pagar aquela escola específica ou tem que equacionar mudar as crianças para outro estabelecimento. Não sabem, porque não entendem patavina deste assunto e estão-se borrifando para o facto da escola ser privada ou pública. É gratuita e está aberta 12 horas por dia e isso é que interessa. Mudar os miúdos de escola ou passar a pagar uma mensalidade é motivo mais do que suficiente para reclamarem, mesmo que não saibam porquê.

Para estas escolas, e relativamente ao financiamento do Estado, concordo em absoluto que cada caso em um caso.

Se são privadas mas prestam serviço público porque não há alternativa próxima, sim, financie-se. Caso contrário, não.

Quem quer os filhos em escolas mais seguras, mais exigentes, mais bem apetrechadas, com aquecimento e refrigeração não tem necessariamente que pagar. A escola pública tem que ser isso tudo e, se não é, aconselho a que os pais se mexam e mobilizem os filhos para que passe a ser. É assim que se constroem cidadãos e democracias.

Não estão para se mexer? Não acreditam no ensino público? Têm dinheiro? Então paguem. Eu faria o mesmo, se fosse rica ou resignada.

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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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