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Mãe-Galinha

Inquisição

Rita, 22.06.09

Caro Eduardo Sá:

 

Já lá vai o tempo em que quase definhava de remorsos por me ter esquecido de dar mil beijos de bom-dia,  não ter passado horas a brincar com legos, ou  ter fritado o bife em vez de ter cozido o peixe. Ou pensava em enforcar-me por ter dado um açoite. É a si que culpo pelo tempo que perdi a martirizar-me.

 

Saiba que ontem me libertei do grilo falante de voz mansa - Dei duas palmadas na minha filha que tem quase onze anos e uma palmada no meu filho que tem onze meses, sem pingo de remorso.

Parece-me que foram as palmadas mais eficazes que estas duas criaturas já levaram. Ela, porque não contava. Ele, porque não me conhecia a mão pesada. Ela, calou-se em meio segundo, ele, adormeceu noutro meio.

 

Aos quase onze anos já não devia ser preciso uma palmada para perceber a mensagem (fala mais baixo que os teus irmãos já estão a dormir) e aos onze meses não devia ser precisa uma palmada para deixar de lutar contar o sono (ao fim de quase uma hora). Se calhar o senhor acha que as crianças estão mal resolvidas porque, com estas idades, deviam saber atender a aos meus pedidos - cala-te tu, que tens quase onze anos e dorme tu, que tens quase onze meses.

 

É Junho, quase S. João e eu, aos quase trinta e oito, estou na minha melhor fase de resoluções - Vou fazer uma fogueira de livros.

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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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