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Mãe-Galinha

FB quiz - rebentava, se não escrevesse isto

29.05.09

Eu não vou votar para as eleições europeias porque.

 

Um país 

Onde uma professora chalada ameaça alunos e quem paga são as mães preocupadas e as alunas aterrorizadas porque é assim o regulamento da escola e não se podem gravar aulas, mas podem enxovalhar-se as crianças daquela forma nojenta. (Havias de ser professora dalgum dos meus filhos que levavas uma tareia que nunca mais havias de conseguir abrir as pernas).

Ou onde um processo de adopção demora ANOS mas o processo da coitada da miúda russa demorou UMA SEMANA, e vem o o Sr. Barros dizer que nunca falou com os pais, nem com a senhora que pariu a miúda e à qual insistem em chamar mãe, nem sequer com a criança. Superior interesse de quem? E ainda vem o Sr. Ribeiro dizer (que atraso de vida de criatura) que se calhar seria diferente se a miúda não fosse linda, loira e de olhos azuis.

Lavar, vestir, embalar, mimar, velar, educar. Não é só pari-los, é criá-los e amá-los. Umas palmadas? Sim, se tiver mesmo que ser. Aquelas não. Aquelas são de partir o coração.

Ou o país onde a um pai que viola uma filha não é retirado o poder patrenal, onde reina o quero-posso-e-mando, um país que se orgulha mais de inaugurar centros comerciais do que fechar centros de acolhimento, tão cheios demais de meninos e meninas que não podem sair dali porque, lá está, alguém liga uma vez por semana e dá tanto jeitinho o rendimento de inserção calculado per capita. Se por algum motivo me levassem as crias, eu não arredaria pé; nem de noite nem de dia. Mas parece que basta telefonar uma vez por semana para empancar um projecto de vida. Um projecto de VIDA.

Um país tão burocratizado que tanto papel dava para limpar todos os cus do mundo, onde escandalo a escandalo se constrói uma fortunazinha, onde vale tudo menos tirar olhos, onde a produtividade rasa o chão onde passam mais botas lambidas do que pés descalços e felizes. O hino do país devia conter a onomatopeia chlep-chlep.

Onde já quase ninguém sorri.

Onde todos querem ser doutores e engenheiros sem saber escrever uma linha sem erros, porque o que importa é que não se retenham alunos e que se ponham os professores a preencher papéis em vez de ensinar.

Onde é tão bom passar a batata quente - não fui eu, não fui eu.

Um país como a casa onde não há pão e onde todos ralham e ninguém tem razão, de gente mesquinha, estupidazinha, pequenininha, cega, surda, muda.

Muda.

 

O país não merece ser chamado país, quanto mais estar representado seja lá onde for.

Quanto de Portugal me cabe nos genes? Espero que nada.

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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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