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Mãe-Galinha

Ontem,

Rita, 13.02.07
pela primeira vez, chamei-a delibreradamente à realidade. Custou-me tanto. Custou-me mais ainda vê-la depois chorar, aquele choro que dá razão à crítica, um choro que não cabe nos oito anos dela.
Teve que ser.
Irritou-me que em vez de corrigir o verbo mal conjugado tivesse atirado o caderno para dentro da mochila nas minhas barbas. Depois desceu as escadas a trote e bateu com uma porta, contrariada por ter que estudar umas quantas pautas.
- Se queres sais do piano. Eu cá não me importo. Não estou é para isto, estas faltas de educação e de respeito - eu aos gritos, enfurecida e a sentir as veias do pescoço a latejar. Ela de repente muito pequenina, a vida a passar-lhe pela frente e a ter que decidir e a rebentar num choro. (tal e qual como eu, naquele outro momento de decisão).

Depois portou-se tão bem que lhe pintei as unhas com verniz e purpurinas.
Porque é que é tão difícil ajudá-las a crescer?
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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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