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Mãe-Galinha

Falta a vermelho

18.11.08

Esta manhã as portas da escola da Maria mais velha estavam fechadas a cadeado.

Passei por lá a ver o que se passava, depois da miúda me ter telefonado numa excitação imensa. Não a consegui ver, tal era a multidão, e segui caminho para distribuir as outras Marias. Sei muito bem que viver a contestação faz parte do crescimento e dias destes, de portas fechadas, não há muitos.

Meia hora mais tarde,  voltei e reparei que uma das portas da escola já estava aberta e havia até alguns alunos a entrar. Lá vinha ela com uma amiga, coradas e ofegantes.

-Então o que foi isto? - perguntei

- Foram os do 9º ano que trancaram a escola!

- E porquê?

- Por causa das faltas!

Imaginei que fosse esse o caso. Sei da contestação geral ao regime de faltas publicado na alteração ao Estatuto do Aluno.

Mas fiz-me de ignorante no assunto:

- E o que é que têm as faltas?

- Não sei. Acho que não querem ter faltas.

Lá foram, e eu aproveitei para meter conversa com uns miúdos mais velhos.

-Então fecharam a escola?

- Pois fechámos! Acha bem termos que fazer uma prova se faltarmos às aulas mais do que 3 semanas? Já nem podemos estar doentes, é?

Nem respondi que

- Sim, acho muito bem. Nalguns casos, acho mesmo muito bem.

Porque há, de facto, casos e casos.

Parece que a grande contestação são os casos das faltas por doença. Mas há doenças e doenças e há doenças que impedem, de facto, que os alunos evoluam  de acordo com os programas previstos. E nesse caso, será melhor vestir-lhes o fato de "coitadinhos" e siga para o ano seguinte mesmo sem saber somar dois mais dois? Que mal têm os planos de recuperação?  

Já não bastava o facto de ser quase impossível chumbar um aluno que vais às aulas e não aprende. Faltava, claro, ter boas notas sem por os pés na escola. Maravilha. A lei do menor esforço nunca nos abandonará.

Meninos, leiam lá o Estatuto e o despacho.

Fechem a escola à vontade, gritem e barafustem. Estão na idade de fazer essas coisas e tomara que as minhas crias cresçam com consciência crítica. Mas, acima de tudo, com a consciência da razão.

Tenham juízo.

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© Rita Quintela
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