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Mãe-Galinha

Aposto que foi um homem que teorizou: "as hormonas compensam tudo"

04.10.08

O miúdo pequeno é capaz de dormir cinco ou seis horas seguidas durante a tarde mas de noite continua a querer enlouquecer-me e a acordar de duas em duas horas. Há mais de dois meses que não durmo em condições (na verdade, há quase dez anos) e o meu pequeno-almoço tem sido condimentado a ben-u-rons. Dói-me a cabeça.

Não vale a pena virem as teorias do

- dá-lhe banho mais tarde

ou

- não o deixes dormir tanto de dia

ou ainda

- vê se mama em condições de noite.

Obviamente já experimentei tudo e nem sequer me posso queixar por aí além.

Se calhar se lhe espetasse com um biberão pela boca abaixo antes de eu tombar para o lado, a coisa até encarreirava. Mas ainda não estou para aí virada - os dias correm bem e andando metade do dia no carro, é muito mais jeitosa a mama. E o badalo fica-me a matar.

 

O pior é que ando cansada e há alturas em que, não me arrependendo de nada, me apetece desistir de tudo - já não quero ser a mãe-quase-sempre-presente, nem ter o jantar sempre na mesa, nem as roupas mais ou menos arrumadas, nem quero saber do que dão na escola, nem se fizeram os trabalhos de casa e muito menos se as mochilas da piscina ou do ballet estão prontas para amanhã. Quero lá saber se tocam piano ou flauta ou se estudaram a partitura, se a Carmo tem ranho ou se a Inês diz que  lhe doem os pés. Não quero ir procurar mais casacos desaparecidos nem jardinar os canteiros lá de fora.

 

Depois passa-me. Basta um olhar ou um sorriso.

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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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