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Mãe-Galinha

vinte e seis do nove

26.09.08

Ainda não são dez da manhã.

Acordei às seis e meia com o miúdo ao colo. Eu sentada na cama, um dor lancinante no pescoço e um braço dormente. Meti-o na cama dele e dormi mais meia hora. Não sei se algum dia o meu corpo se desabituará de dormir aos bochechos.

Depois os despertadores começaram a tocar à vez e e levantei-me. Lavei a cara e os dentes, preparei pequenos almoços e sacos de lanche, fiz camas e estendi a meia máquina de roupa que o pai das crianças não estendeu porque estava na hora de levar a mais velha.

A Carmo não queria beber o leite porque o leite tinha um espirro. - Um quê? - Um espirro.... Eu espirrei e o espirrou ficou no leite. - Bebe lá o leite. O espirro é teu, engole-o, vá.

Tomei banho e vesti-me. Até pus uns brincos! Levei as do meio às escolas, mas hoje demorámos mais tempo porque havia um acidente e um rapaz estendido no chão.

- Ai! Não olhem...

- Porquê?

- Para não ficarem impressionadas

- Como é que ele caiu? Quem é que o empurrou? Tem sangue? Está morto? E a ambulância? Porque é que não vai para o hospital? Logo à tarde ainda aqui vai estar? Vão-lhe dar uma pica? Vai para o céu? O que é "impressionadas"? Já podemos olhar? - Mas nisto já tínhamos passado a rotunda.

Carreguei o ovo escada acima no infantário da Carmo porque me esqueci do sling em casa. Escolhi horários de actividades extracurriculares, voltei para casa debaixo dum choro de sono. O rapaz dorme aqui ao meu lado. Vou tirar os sapatos.

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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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