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Mãe-Galinha

A MARIA (e outros desabafos)

07.09.04
Às vezes tenho a sensação que nestes relatos deixo ficar a Maria para trás. A Carminho é pequenina; todos os dias aprende coisas novas. Há sempre tanto para escrever sobre um bébé. Nem as palavras chegam. A Inês, por ser como é, dá azo a muitos posts. Tem uma personalidade inigualável e dá-nos água pela barba.



A Maria é uma miúda tão certinha que nem sempre me ocorre escrever sobre dias que se repetem, comportamentos exemplares ou atitudes demasiado crescidas para a idade. Tenho alturas em que penso se ela não terá crescido demasiado depressa. Afinal, a Inês nasceu quando ela tinha 14 meses e por muito que eu me esforçasse por me dividir, ela não teve a atenção toda. Por outro lado, agora são duas miúdas cúmplices e amigas, que crescendo juntas aprenderam um dos melhores princípios - o da partilha.

Sendo mais velha, a Maria teve que se tornar autónoma em muitas tarefas, como o vestir e o comer, por exemplo. Ainda não tem 6 anos e já toma banho sózinha. Olha pela Carminho enquanto eu faço o jantar, chama-me de noite quando a Inês choraminga por causa de algum pesadelo e nestas férias fez a cama dela todos os dias, sem que ninguém lhe pedisse. É um exemplo, esta miúda que ainda ontem me deixou gorda de orgulho quando a fui buscar ao ATL e a educadora, que a conhece há menos de uma semana, me disse:

- A Maria é tão novinha e tão responsável. Tenho aqui miúdos que não sei que raio de educação lhes deram.



Esta manhã, estranhamente, não quis ficar lá no ATL. Enroscou-se em mim, pediu para a ir buscar mais cedo e eu, de coração partido, a pensar nas 8 horas em que a teria que ali deixar. Não me venham falar em horários de trabalho ajustados às necessidades familiares senão eu ainda escrevo sobre o que não devo. Há maior necessidade familiar do que os filhos estarem com os pais algumas horas do dia?
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© Rita Quintela
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