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Mãe-Galinha

CÃO CÃO CÃO CÃO CÃO CÃO CÃO

07.08.04
Acorda a meio da noite e começa cão-cão-cão-cão. Levanto-me, vou ao quarto dela, aconchego-a, ponho-lhe a chucha, termina o monólogo e adormece. De manhã acorda e diz cão-cã-cão-cão. Vou buscá-la, mudo-lhe a fralda digo-lhe "não faças barulho, olha o pai no óóó". Ela olha para o pai e diz cão-cão-cão-cão... Preparo-lhe a papa do pequeno almoço e pergunto-lhe "papa Carminho? Queres papa?" E responde cão-cão-cão-cão. Enquanto brinca sózinha no parque agarra nos brinquedos um a um e fala com eles: cão?-cão!-cão.... Brinco com ela, ela põe-se em pé e morde-me a cara, senta-se, levanta-se, olha para mim com um sorriso lindo mas diz cão-cão-cão-cão. Desafia as irmãs, ri-se às gargalhadas com elas e reponde às provocações: cão-cão-cão-cão... Ao fim do dia, doida de sono, a esfregar-se toda, às vezes nem choraminga, mas lá diz cão-cão-cão...



É que nem é bem "cão" é qualquer coisa como "cãn", um som não escrevível. Eu nem sei se ela já alguma vez viu bem um cão. (Talvez tenha visto, em casa da minha avó ou algum cão na rua). Hoje armei-me de cães até aos dentes - livros, peluches, bonecos e passei a manhã "Olha o cão! Como é que faz o cão? Ão-ão. O que é isto, Carminho?" E ela, sabia e obviamente respondia cão-cão-cão. Espero ter ajudado a descodificar o sentido do som. É que com 11 meses, não se espera que consiga articular mais dos dois ou três monossílabos. Mas "cão" para tudo também é um exagero.
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© Rita Quintela
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