Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Mãe-Galinha

Da morte

Rita, 19.03.07
O que mais me custou foi não lhe ver nada no olhar. Nem desespero.
Fugiu-lhe a vida num ápice, foge-lhe tudo, e ela não vê nada no futuro. Os olhos vazios de tudo. Vermelhos de raiva, que eu sei.
"Porquê?" "Porquê?"
Os filhos perdidos. Desnorteados.
"Porquê?" "Porquê?"
Quero abraçá-la, nunca a deixo, nem nos sonhos que agora têm sido pesadelos. Eu anestesiada, sem o rumo dela, sem a força dela.
Perguntas que não me saem da cabeça e aqueles olhos vazios e sem esperança. Só as lágrimas.
Ela pequena demais para abraçar os três filhos. Eu a querer abraçá-la, sempre, toda.
Que dor é esta?
Que sentido existe na morte repentina dum pai, dum marido? Dum amigo?

Voltarás a sorrir, querida Cristina?
Reaprenderás a viver?

E eu, perdida, cambaleante, esquecida de mim, só queria ver aquelas crianças sem dor, aquela mãe amparada. Dá-me um bocadinho da tua dor, divide-te comigo. Mas isso não pode ser porque foi o teu amor que morreu sem avisar e e mim resta-me esperar que os teus olhos se encham de esperança.

Nada faz sentido.
O nome e os conteúdos deste blogue estão protegidos por direitos de autor.
© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

21 comentários

Comentar post

Pág. 1/3