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Mãe-Galinha

INÊS

Rita, 22.12.04
Nesse Natal um outro brilho enfeitou a nossa vida. Levei-te para casa no fim da tarde do dia 24, embrulhada numa manta cor-de-rosa, com um gorro que quase te chegava ao nariz. Essa noite de Natal foi especial.

Dois dias antes, há exactamente cinco anos, nascias, cheia de pressa, sem quase me dares tempo de respirar.



Uns meses antes, ao descobrir que crescias na minha barriga, também não tive tempo. De pensar. A Maria era um bebé de cinco meses que exigia de mim o que exigem os bebés de cinco meses, eu tinha regressado ao trabalho há um mês, andava exausta. Nada fazia prever a gravidez. Disse-mo o instinto. E comprovou-o a linha cor-de-rosa.



Acredito que não tenha sido uma gravidez rodeada de todos os cuidados e por isso, às quase 37 semanas, decidiste nascer ao fim da tarde (não me lembro da hora). Linda, morena e nada pequena, para o tempo de gestação.



De tal facilidade foi o parto que passadas três horas eu já tinha tomado banho, jantado, feito dezenas de telefonemas, e ao serão não perdi o último episódio da novela que me fez chorar durante aqueles meses em que crescias na minha barriga. Dois dias depois estavamos em casa.



Tens sido sempre especial.

Quando eras bébé, muitas vezes fizeste crescer em mim sentimentos de culpa por não te dar o colo todo que merecias ou precisavas. Mas o colo que devia ter sido só teu, foi muitas vezes também da Maria, que era maior mas era ainda também um bébé. E tu sabias que não eras o centro das atenções: nunca foi preciso adormecer-te, bastava pôr-te na cama, muito enroscadinha e adormecias sózinha (até hoje!). Nunca deste o mínimo trabalho na hora das refeições (até hoje!), nunca foste de grandes birras (até hoje!).



Um dia nasceu a Carminho e passaste a ser a menina do meio. Se já eras especial, mais especial te tornaste. Passaste a viver numa dimensão muito própria, num mundo onde é preciso pedir licença para entrar. Não que queira tomar conta dos teus pensamentos mas naqueles momentos em que o teu olhar vagueia sem destino, eu gostava de saber por onde voas.



A ti, linda Inês, devemos grande parte das nossas gargalhadas. É o teu humor que nos faz rir. Mas também grande parte das nossas angústias porque a tua tristeza faz-nos chorar. Hoje é o teu dia. Só queremos que sejas feliz. Parabéns.

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© Rita Quintela
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