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Mãe-Galinha

Trava-línguas

20.07.07
Pinga a pipa e pia a pinta
Pinga a pipa e pia a pinta

Enquanto lavam os dentes o pai anda atrás delas com a lega-lenga.

A Inês não consegue,
.. pina a pipa
ou
... pipa a pinga.

A Carmo, escova de dentes na boca e a espumar de riso.
Eu no quarto, a Inês já de dnetes lavados e a passear a escova de dentes pendurada num canto da boca, se calhar há um fiozinho de baba, às vezes é pequenina (agora cortou o cabelo e parece mais nova e mais alta):
- A Sacha acha a Chucha chata!
Corre a buscar o livro.
- Olha! Tu é que devias ler isto muitas vezes - digo para o pai, agora eu e ele sentado aos pés da cama.
É ligeiranmente disléxico, ele. Tem, basicamente, um problema com os "pês"
Abre o livro e começa a ler.
Primeiro
- Três tristes tigres com três pratos de trigo...
E por aí fora
Os dois sentados aos pés da nossa cama.
Nem demos por elas, só quando se riram muito, muito.
As três enfiadas na nossa cama, nem sei como apareceu aqui a Maria, estava noutra.
Olho para trás e vejo-as as três deitadas. Na nossa cama. Olho para trás e não vejo esta imagem muitas vezes e tenho pena.
Depois brincamos todos ali, fazemos de conta que fazemos ioga:
- ámmmmmmmmmm... de olhos revirados, pernas à chinês e mãos caídas nos joelhos. O detalhe, sempre, do polegar encostado ao médio. Tento que a coisa cheire a sério:
- Agora vamos imaginar uma parede branca...
Mas não é possível porque meio segundo depois:
- E não podemos imaginar que a estão a pintar de muitas cores?
- Podes Inês, podes. Agora vamos ouvir lá ao fundo as ondas do mar - Digo isto com a convicção de que alguém me há-de dizer que não ouve nada. Ninguém diz mas eu desmancho-me numa gargalhada com o ar da Carmo no esforço da concentração:
Lá estavam as mãos pousadas nos joelhos, o polegar no médio, as costas muito direitas e os olhos muito aberto, esbugalhados, a tentativa de ouvir o mar. A Inês ri-se atrás da minha gargalhada, o pai desiste e a Maria mantém a pose, a se-calhar-concentração e reclama da falta de condições para o exercício (com o cabelo cortado parece ainda mais crescida).
Jogamos depois a um daqueles jogos de roda. Todos, sentados em roda na nossa cama. Um jogo em que as mãos de cada um ficam pousadas nas mãos do outro, uma por cima e a outra por baixo:
Cegonha, cegonha, cegonhoa, quá, quá, quá, canta a escala, quá, quá, quá, dó, ré ,mi, fá! E quem se deixar apanhar pela mão do outro, sai do jogo.
Tão inocente, a Carmo. Só queria era perder para sair do jogo e ir para o meio da roda.
Na nossa cama.
Com ela no meio, as nossas mãos andavam mais depressa e, no ar, até lhe levantavam o cabelo (que também levou um corte). As mãos na cara a "proteger-se" das nossas mãos.

Minutos depois, quando me sentei a beber café e a fumar um cigarro, o vento frio nas costas,
senti-me a pessoao mais feliz do mundo.
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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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