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Mãe-Galinha

DUENDES DOENTES

29.12.04
É terrível o choro da dor física; houvesse maneira, passava de bom grado esse sofrimento para mim. A elas, quero vê-las sorrir, brincar, guinchar.



Ouço-a chorar

-Ó mãeeee, dói-me tanto a barriga

E fico impotente, restando-me correr para o médico, largar tudo e correr.



É quando estão doentes que a vida me parece mais efémera e preciso de as ter mais junto de mim. Preciso de senti-las respirar, preciso de as abraçar, de as mimar, de lhes mandar embora a dor de barriga, a dor de garganta, a febre.



Quando estão doentes, não durmo. Passo as noites a velar-lhes o sono, a medir-lhes a febre, a mudar-lhes os pijamas encharcados em transpiração, a dar-lhes xaropes e a acalmar-lhes as tosses.



Quando estão doentes, vivo com o coração aos saltos. Transformo-me num ser mais irracional, com uma necessidade absoluta de as proteger e acalmar.



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Ontem, quando cheguei ao infantário, a Carminho estava com febre. Aparentemente, doíam-lhe os ouvidos. Não podendo confirmar esta suposição, não nos restou outra alternativa e o pai levou-a ao médico enquanto eu preparava banhos e jantares. Nem cinco minutos depois de terem saído, descubro 40º de febre à Inês. Dor de barriga. E de garganta. Arrisquei não a levar logo ao médico e esta manhã, por entre vómitos e mais febre, rendi-me à minha impotência e lá fui:

- Gasteroenterite. Pega-se que nem ginjas! - diagnosticou o médico



Agora, depois de horas de vómitos e cólicas, dorme descansada em casa da avó.

A Carminho, não tendo tido mais febre e não tendo nada nos ouvidos, foi para o infantário com a sua constipação.

(A Maria está nos tempos livres)



Eu olho para o relógio e espero que o tempo passe depressa para as ir buscar. Quero ir para casa mimá-las.
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© Rita Quintela
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