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Mãe-Galinha

O CICLO DA VIDA

28.02.05
Noutro dia senti-me mal. Fisicamente mal. Senti-me a perder o controlo do meu próprio corpo, achei que ía desmaiar. Parei o carro, ía sózinha. Abri as janelas e a tremer, peguei no telefone. Depois pensei: "Bolas! Tenho que conseguir sair daqui". Não usei o telefone. Não me lembro de como cheguei a casa da minha mãe. À porta, liguei ao João para me ajudar a sair do carro. Em casa, deitei-me durante uns minutos, o coração começou a bater menos depressa, já a não querer sair do peito. Já no dia anterior uma terrível dor de cabeça me tinha deixado fora de mim. Naquele dia, eram tonturas, vertigens, dor de cabeça, palpitações. Quis-me parecer que estava com uma crise de visícula à mistura com um ataque de pânico. Não sou nada hipocondríaca, antes pelo contrário. Detesto estar doente e chego mesmo a ser teimosa no que diz respeito a admitir que posso estar doente.
Por isso, naqueles momentos em que estive deitada em casa da minha mãe, pensei nas minhas fragilidades, em como tenho medo que algo me aconteça, em como as minhas filhas precisam de mim e em como tenho que ter mais cuidado comigo. Estremeci, ao imaginar que poderia não ser capaz de olhar pelas minhas filhas.
Não tenho medo de envelhecer. Tenho é medo de perder qualidade de vida.
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© Rita Quintela
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