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Mãe-Galinha

Memórias

Rita, 12.02.07
As sextas-feiras têm chegado a correr e sem avisar. Quando dou por elas, já quase é princípo de Sábado e passou uma semana sem eu quase dar por isso.
Ando atrapalhada com polvos e cangurus costurados. Restam-me quatro dias para afinar as costuras e ainda tenho a pequena para moldar de princesa-anjo-e-outras-coisas-que-todas-as-meninas-de-três-anos-querem-ser. Para ela, a de três anos, o Carnaval é um lugar e está baralhada porque ninguém lhe explica onde é esse lugar.
É com três anos que se descobre quase tudo. É a idade mais bonita das que conheço nas minhas filhas e não estou a ser parcial. A mais velha entra agora também numa fase de descobertas mas não me parece que seja uma fase muito bonita. Pelo menos na parte que me toca a mim.

Num dos dias da semana passada (gosto de passas) eu estava muito cansada mas tinha muito que fazer. Saí do trabalho e deleguei tudo sobre as minhas filhas, coisa rara em mim. Antes de deitar mão às obras, ofereci-me dez minutos de descanso e deitei-me no sofá. Aqui, onde vivo, às quatro da tarde dos dias das semanas não se ouve mais nada a não ser trinados e balidos. Naquele dia morrinhava. Não havia pássaros, nem ovelhas e a chuva só pairava, não caía.

Estive dez minutos em transe. Sem ruídos, imaginei cheiros. Gosto de me lembrar de cheiros e consigo iludir a memória. Faço tremelicar as narinas depois duma inspiração profunda e vou buscar as saudades maiores. O cheiro aviva-se-me na memória e é por isso que elas nunca me fogem. Sou tão selectiva que só guardo os odores das memórias boas. (Guardo imagens tão nítidas das minhas lembranças tristes).

Naquele dia só me cheirou à memória de África. Em África haverá polvos mas não há cangurus. Pintei zebras.
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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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