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Mãe-Galinha

Já deitada e de luz apagada,

Rita, 29.03.07
levanta a cabeça da almofada e diz:
- Sabes mãe, eu antes pensava que era diferente das outras pessoas.
- Então porquê, querida?
- Porque eu pensava que as outras pessoas quando se deitavam e fechavam os olhos adormeciam logo e isso comigo não acontecia e eu pensava que tinha mesmo vindo de outro planeta.
- Ó querida... A sério?
- A sério, mãe! E depois ficava assustada por não adormecer logo que fechava os olhos.

Saí dali cheia de remorsos. Queres ver que traumatizei a miúda, das vezes que lhe disse que ela parecia vinda doutro planeta? E ela que não me contava estes medos, coitadinha. Minha rica filha, se calhar tem outros dramas e não me diz.

Depois acalmei-me e descobri que começo a poder entrar no mundo dela. Esta confissão foi uma porta que se abriu e sei que, do lado lá, só há luz e felicidade.

ou

Cada vez mais me convenço que o planeta donde veio nem sequer é desta galáxia.



(Não fosse este um texto assim mais para o sério e diria que, do lado de lá da porta, é capaz de ser tipo pastilhas)
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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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