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Mãe-Galinha

Gatafunhos

Rita, 17.07.06
Ao fim de muitas, muitas noites, não acordei antes de ser dia com a Carmo a chamar-me. Dormi de janela aberta è às três da manhã, sei porque olhei para o relógio, a gata Preta defendeu com unhas, dentes e uivos a sua taça de comida mesmo por baixo da minha janela.
Está calor, muito, invejo quem gosta deste tempo e eu nem transpiro, que devo ter um problema qualquer. Mas o calor é tanto que ontem, no jardim da estrela que descobri chamar-se Jardim Guerra Junqueiro, tinha pingos a cair de mim. Fomos a Lisboa e já cá estamos e parece-me que aqui o calor é mais insuportável.

Ah! A gata...
Depois de ter sido castrada e de lhe terem tirado uns cristais nada valiosos da bexiga, tornou-lhe a crescer o pêlo da barriga e trouxe a recomendação de comer apenas almôndegas. É fina, a gata, e tem manias. Às vezes acho-a um bocado micro-cefálica, o que poderá justificar alguma falta de inteligência; a gata não bebe água e foi por causa disso que se lhe acumularam cristais na bexiga porque eu lhe dava ração seca.

As almôndegas são húmidas e resolvem o problema da hidratação da bicha.

Foi castrada, coitada, ficou sem líbido, portanto. Isto a mim facilitou-me a vida e tornou-a a ela num felino mais felino e mais feliz. Anda na rua sempre que quer. A rua é o jardim, o baldio para lá do jardim onde às vezes há mémés e na rua fez-se uma gata-gaja. Caça ratos que me oferece depositados no tapete que está à porta da cozinha. Apanha pássaros com a bocarra e estrangula-os em frente das minhas filhas que choram baba e ranho perante as leis da natureza e depois abocanha-os, sangue e penas e entranhas. É o horror. As petizes odiaram-na por uns tempos mas depois de as obrigar a umas sessões de Wild-life em vídeo, perceberam que há uma vida real por trás das metáforas dos beijos mimosos (A Carmo, na transição da feitura da sua personalidade infantil, regozija com os pássaros engolidos pela bicha e a mim assusta-me a ideia de querer experimentar o petisco).

Às vezes a gata desobedece-me; ensinaram-na as miúdas. Quando a chamo e não volta para casa, fecho-lhe a porta e dorme na rua. Foi esta noite o caso mas arrependi-me tanto quando acordei com a barulheira. De manhã tentou enroscar-se nas minhas pernas mas teve azar. Não lhe dei colo porque estava muito zangada com ela.

Ao que interessa:
A gata Preta come uma lata de almôndegas por dia. Compro-as às caixas de 20, no Dia ou no Lidl e a conta das latas faz-me chorar. Mas gosto da gata, pronto. Eu, que sou muito arranjadinha, comecei a lavar as latas e a guardar, não fossem algum dia ser precisas. De repente havia latas por todo o lado, dezenas, centenas de latas vazia.

Dei-lhes uso, claro.
Tirei papel e cola, desfiz o rebordo cortante com um alicate e pintei-as com spray



Crochetei umas flores em 3 tempos e colei-as às latas


Recheei com doces, embrulhei e ofereci.
Farei mais, muito mais. Longos anos viva a gata Preta.
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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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