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Mãe-Galinha

Quase mil quilómetros

Rita, 03.12.07
Ninguém, no seu perfeito juízo, sai de casa com três crianças, mais ou menos sem rota marcada, num fim de semana de chuva.
Não se passeia sem destino com três crianças no carro.
Ao fim de pouco mais de meia hora, as respostas a
- Vamos onde?
- Falta muito?
e
- Quando é que chegamos?
deixam de ser coerentes e instala-se o caos.
Por muito que façamos para as convencer que vamos em passeio, que havemos de passar em casa delas, que faremos um piquenique e que vamos dormir num hotel, nada as convence que é possível passar assim dois dias (dois... onde estávamos com a cabeça?)
Tirando os poucos momentos em que as três adormeceram ou aqueles em que eu, indiferente à gritaria no banco de trás, consegui dormir (o meu estado era tal que adormeci na única parte da viagem que realmente queria fazer), aquele carro pareceu um carro de combate.
Gastei todos os meus argumentos e cheguei a vias de facto com um puxão de orelhas e uma palmada. Depois desisti e, de olhos fechados e música bem alto, lembrei-me da ordem natural dos sistemas, de como da desordem se gera ordem. Embalei-me com o
- Ela chamou-me estúpida!
- Ó mãe! A Maria tocou-me com o braço...
- Olha a Inês que não se cala
e deixei-as esgatanharem-se.
Um fim-de-semana pensado para nós, para estarmos pacificamente em família, longe das rotinas e das correrias do costume e sai-me isto - gritos e nevoeiro e piqueniques debaixo de chuva.

Foi tão bom.
(Exigi conduzir na viagem de regresso. Foi o meu momento zen)


Para memória futura: Aveiro - Arouca - Marco - Cerveira - Vigo - Bayona - La Guardia - Paredes de Coura - Ponte de Lima - Braga - Porto - Aveiro
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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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