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Mãe-Galinha

A MENINA DO RABO DE CAVALO

30.06.04
Ontem fui buscar as miúdas mais cedo ao infantário, com o objectivo de ir dar uma volta com elas. Entrámos no carro e começou a discussão:

- Então onde é que querem ir?

- Ao parque dos patos! - disse a Maria

- Ao parque do túnel - disse a Inês

- Vá meninas, decidam lá. Só podemos ir a um sítio.

- Ao parque dos patos!

- Ao parque do túnel!

- Pronto, decido eu. Vamos ao parque do túnel.

A Maria desatou num pranto. Já não tem idade para estas fitas...

- Bem, parece que o melhor é irmos para casa...

- Nããããoooo....

- OK, então escolham sem choraminguices.

Mas elas continuava a puxar cada uma para seu lado. Até que eu rebentei:

_ Vocês estão doidas? Então eu vim buscar-vos mais cedo para irmos passear e vocês estão armadas em tontas? Parece que não querem ir a lado nenhum! Ou vamos ao parque do túnel ou vamos para casa. Escolham.

- Pronto... Vamos lá ao parque do túnel... - resmungou a Maria.

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No regresso, passámos por uma pequenita que pedia esmola num semáforo.

- Ó mãe, estava ali uma menina perdida! - diz a Inês

- Estava?! - pergunta a Maria

- Sim. Uma menina pequenina, com um rabo de cavalo.

- Não estava perdida... - disse eu, sem saber o que acrescentar

- Olha mãe - continuou a Nê - coitadinha da menina. Podiamos levá-la para casa e ela passava a ser tua filha.

Tentei sossegar a aflição:

- Mas ela tem mãe.

- Não tem nada - respondeu-me a Maria. De certeza que tem uma madrasta muito má que não a quer. Temos que a ir buscar!

- Que disparate! E se ela tiver uma madrasta, porque é que a madrasta há-de ser má? (Que raio de estigma têm as madrastas, à conta dos irmãos Grimm)

- Porque as madrastas são muito feias e más e não gostam de meninos.

A conversa ficou por aqui, mas eu não deixei de pensar na pequenita, que não teria mais de 6 anos, descalça no alcatrão. Ainda eu me queixo das dificuldades da vida.
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© Rita Quintela
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