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Mãe-Galinha

Cumulus

Rita, 18.04.08
Parecem-me os dias cada vez mais compridos. Se calhar é porque me custa andar: pesa-me a barriga e incham-me as pernas e nem sequer está calor.
Passar as tarde no entra e sai do carro, leva uma e apanha outra, é desesperante. Em dias como o de ontem,, de quase dilúvio e vento qb, acabo por chegar a casa com um cansaço tal que sou incapaz de pouco mais que o jantar. A roupa acumula-se, o pó acumula-se, as encomendas acumulam-se, o cansaço acumula-se. Eu acumulo-me e o Sebastião acomoda-se-me nas entranhas. Estou grávida há 583 semanas, de certeza.

(Repito-me - gosto muito mais de bebés no colo do que na barriga)

De ontem, saí às 15h30 do meu cada-vez-menos-estimulante trabalho institucional, apanhei a Inês na escola, levei-a ao conservatório, bricolei durante meia hora (no carro) e quase bati com a cabeça no volante tal era o sono, voltei à escola (sempre de carro, em percursos de 200 metros, que a chuva era demais), apanhei a Maria, levei-a também ao conservatório, entretanto sai a Inês, vamos ao infantário buscar a Carmo, voltamos ao conservatório e esperamos pela Maria (sempre no carro, por causa da chuva), levo as grandes ao ballet e sigo com a Carmo para meia dúzia de recados - primeiro a loja das ferragens, escolher tintas novas para as latas, mais pincéis e trinchas e diluente. Ela aos saltos entre machados e caixas de pregos, eu - está quieta... não, não é este verde, é verde-garrafa, e sim, pode ser este amarelo - outra vez no carro, mais chuva, bomba de gasolina, só quinze euros que não tenho mais, depois o pingo-doce e os iogurtes, as bananas, o fiambre e olha, levamos também pêras. Mais quase quinze euros... ainda bem que só meti quinze de gasóleo.
A Carmo dá uma lição a uma senhora no elevador do supermercado:
- Vais ter um mano ou uma mana?
- Um mano
- Ai que sorte, a mãe acertou logo à segunda! (velha estúpida)
- À segunda?! O mano vai ser o número quatro. A segunda acho que é a Inês.
- Ah e tal... Nos tempos que correm e tal...
(E dantes os tempos não corriam, era? Devia ser tão bom, o tempo a andar mais devagar. Era disso que eu precisava).
Velha aviada, compras no carro, - toma lá uma pastilha - obrigada mãe!! (esta criança contenta-se com tão pouco) e siga para casa da minha mãe que não está cá mas que fez o favor de me deixar meio frango assado e um taparuére de sopa no frigorífico.
Outra vez o ballet - vá lá, despachem-se - Ó Gabriela, vai-me lá chamar as Quintelas se faz favor.
O dilúvio até casa, o portão da garagem ainda avariado, o carro na rua, a tralha toda que tem que sair.
O jantar. A roupa para hoje, os trabalhos de casa, a roupa na máquina, a cabeça a zunir, o corpo quase a rebentar.

Hoje está sol!
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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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