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Mãe-Galinha

DE CHORAR POR MAIS

19.10.04
A minha mãe não está cá há mais de uma semana - está em Itália, a trabalhar e a passear. Ontem Veneza, hoje Milão, ai ai... Fazem-me falta, entre outras coisas muito mais importantes, os almoços sem pressas e os taparueres de sopa prontinha a consumir ao jantar! A nossa M., dedicada empregada doméstica, está de cama, com um dor ciática que não tinha pior altura para aparecer. Ou seja, além de todos os outros afazeres, eis-me com quilos de roupa para passar, casa para limpar e muita comida para cozinhar. Valha-nos o mau tempo, que nos faz querer estar em casa!

A razão de ser destas palavaras: Ontem, a meio de tantas tarefas - as descritas, quando nos sentámos para jantar, pouca coisa me faria rir até às lágrimas. Mas a coisa estava lá.

Elas sabem que eu detesto que façam isso. Que me irrito. Mesmo assim, arriscaram: Começaram a imitar tudo o que eu dizia. O pai sorria, eu tentava não me rir e disse "não digo mais nada!". E não disse. A Inês não gostou:

- Ó mãe, fala!

E eu dizia que não com a cabeça.

- Ó mãe... Vá lá, fala. Então ao menos abre a boca.

Abri. Ela espreitou.

- Iuc!.... Ca nojo!

Gargalhada geral.

- Que nojo porquê? - perguntou o pai

- Porque a mãe tem a boca cheia de bacalhau!

(Mentira. Não tinha nada a boca cheia)

É óbvio que o resto do jantar foi de chorar a rir.
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© Rita Quintela
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