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Mãe-Galinha

Caro Daniel Sampaio:

Rita, 01.06.07
Não gostei nada de o ouvir ontem. Eu até o tinha em boa conta, li alguns livros seus e até cheguei a recomendar algumas leituras. Mas ontem o Daniel desiludiu-me. A Margarida também. Aproveitaram aquilo que poderia ter sido um debate construtivo para discutirem aquilo a que nós, os telespectadores que se preocupam com a educação das crianças, chamamos o sexo dos anjos. Cheguei a um ponto que me pareceu até que estariam ali a discutir em público uma cena antiga mal resolvida mas rapidamente varri de mim tal ideia e me concentrei apenas no que diziam, não tentando ver para lá das palavras.

O filme "Então é assim" é um filme como outro qualquer. Mas este fala aberta e claramente da sexualidade. Fala de pénis e vaginas, e esperma e gemidos associados ao acto sexual.
Ou seja, trata os bois pelos nomes e, só por isso, merece ser visto pelos adultos e

PELAS CRIANÇAS DESDE QUE AS MESMAS REVELEM MATURIDADE PARA TAL.
Não se pode é pegar nas crianças, interromper-lhes o jantar e dizer-lhes:
- Vamos ver um filme sobre sexo e a seguir vamos falar sobre isso.
O filme grava-se e mostar-se num momento oportuno.

A sexualidade é um tabu e será sempre um tabu. Faz parte do conceito de sexualidade que a mesma faça parte da intimidade de cada um. Portanto, nada de banalizaçães, está bem, caro Daniel Sampaio?

Não me parece que possamos andar todos por aí a perguntar aos nossos filhos, em plena hora do pequeno almoço:
- Então querida, ontem à noite masturbaste-te?
ou dizer-lhes:
- Meninos, todos para o quarto que o pai e a mãe agora vão fazer amor.

A sexualidade tem alguma irracionalidade e, como tal, não é passível de todas as justificações.

A mim irritam-me tanto os radicalismos.

O filme não me chocou. O que me chocou foi o debte que se lhe seguiu. Daniel Sampaio furioso com Margarida. A Margarida sem saber o que fazer. Daniel a atacar. Margarida a ver se se defendia. Uma palhaçada. Um e outro. Daniel Sampaio cheio de radicalismos de mais. Margarida cheia de radicalismos de menos. Valeu-nos a Fátima num discurso claro e coerente.

Caro Daniel, deixe-me dizer-lhe que não deve ter pena das famílias em que não se discute a sexualidade, deve respeitá-las. Nem deve estranhar que "em, pleno século 21 a masturbação ainda seja tema de discussão". Sabe Daniel, não somos todos professores universitário de psiquiatria. Alguns de nós limpam as salas onde o senhor dá aulas. Outros servem-lhe cafés no bar. Quantos de nós terão tido acesso a uma educação sexual sem tabus? Ou a uma escolarização decente? Quer-me parecer que não devemos ser muitos.
Por isso, não tenha pena de nós.
Deixe-me explicar-lhe que há pessoas para quem a sexualidade é um tabu tão grande que não conseguem ultrapassar a barreira e explicá-la aos filhos.
Mas deixe-me também dizer-lhe que não é um professor da escola, quem sabe com uma sexulidade ainda mais reprimida do que a de tantos pais, que a vai conseguir explicar. Como, pergunto eu, como é que um professor que não consegue explicar convenientemente o sistema reprodutor vai conseguir passar a mensagem duma sexualidade que se quer também com afectos?
Fujo ao tema e não queria.
O tema era um filme lúdico e despretensioso que aborda o sexo duma forma natural. Tenho pena que, no filme, não tenham sido aborados alguns aspectos importantes da sexualidade infantil - a masturbação e a homossexualidade.
Tentarei limpar as minhas teias de aranha e falar eu disso às minha filhas.


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© Rita Quintela
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