Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Mãe-Galinha

Méri:

08.03.07
Chego a casa apodrecida pelo cansaço. Entro directa pela garagem, subo as escadas carregada de sacos, fecho os estores, esqueço-me das minhas filhas atiradas para a frente da televisão, faço comida, apanho roupa, estendo roupa, acendo a lareira. Pesam-me as horas passadas a trabalhar, as horas quase perdidas. Essas horas cansam tanto.
Chega ele e eu de avental, traz um envelope e dá-mo:
- É para vocês, meninas! Uma carta!!! - grito.
São estas coisas que me fazem acreditar em pessoas boas, num mundo novo, no poder da amizade.

Aparvalhei o olhar na perfeição dos vestidos, nos chapéus, nas lantejoulas. Há meses que não via a Maria brincar com bonecas



A Inês vestiu a dela e não deixou ninguém mexer-lhe para não estargar



A Carmo, depois de despir a boneca dela, preferiu, claro, levá-la para o banho. Melhor assim, que se percebem melhor os detalhes da perfeição. O cabide foi o meu espanto.



Estas coisas não se agradecem. Sentem-se.
Quem meus filhos beija, minha boca adoça.
O nome e os conteúdos deste blogue estão protegidos por direitos de autor.
© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

13 comentários

Comentar post

Pág. 1/2