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Mãe-Galinha

Da vida de casal

Rita, 11.05.07
Coisa contextualizada, intervenientes apresentadas, bacalhau com natas e sopa de feijão verde na mesa, meninas lavadinhas, oito e meia da noite.
- Devias ter visto a troca de mails de hoje entre nós as três!
- Não fazem nenhum...
- Ó pá, tivemos uma ideia de génios.
- Hum hum... - sem tirar os olhos do prato
- Já não sei a que propósito, lembrei-me de procurar no google sobre a terra onde mora a Nélia. Aquilo até fanfarra tem!
- Fanfarra...
- E junta de freguesia e tudo! Eu pensava que aquilo era só mesmo a casa dela e mais nada, vê lá tu!
- Sim e depois?
- Podíamos ir viver para lá! - eu, um ar sério, convincente, a testá-lo.
Não comentou mas encolheu as sobrancelhas e olhou-me olhos nos olhos.
- As miúdas podiam tocar na fanfarra, eu ía para a Junta e tu podias trabalhar na fábrica do sogro da Nélia. A Dulce lembrou-se que tu assas bem carapaus, podias ir assar carapaus na fábrica, sei lá, fazer grelhados para o pessoal.

Os olhos muito abertos, os talheres suspensos, o bacalhau no prato.

- O miúdo da Dulce podia trabalhar na fábrica aos fins-de-semana para ver se se orienta e se orienta alguma das nossas miúdas.

Elas, as miúdas, espantadas, arreagaladas:

- Vamos mudar de casa, mãe?

O meu riso preso no estômago.
- A Dulce também vai. Diz que há uma agência do banco lá perto e pede transferência. Ah! E se não quiseres trabalhar na fábrica, a Nélia acha que podemos abrir uma barraca à beira da estrada e fazer petiscos para os camionistas.

Silêncio

Desmancho-me a rir.
Ele:
- Vocês andam a dar na coca? - e continuou a comer
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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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