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Mãe-Galinha

FIM AO INVERNO, JÁ!

29.01.05
Os três últimos dias são para riscar do calendário.

Chega-me de aflições com as minhas filhas. Duvido que mais aflições me tornem mais forte ou mais resistente a "estas coisas". Pelo contrário, estas aventuras envelhecem-me!

Três idas às urgências em apenas dois dias foi demais para mim.



EPISÓDIO Nº 1 - A bola no olho

Já há uns dois dias que andava com um olho ligeiramente vermelho (mas apenas num cantinho). Cheguei mesmo a ligar para o dói-dói-trim-trim onde me disseram que, se era só vermelho, não fizesse mais nada a não ser lavar bem com soro. Na quinta-feira, depois do jantar, decidi sentá-la no penico. Afinal, 17 meses são meses mais do que suficientes para a menina se começar a habituar às higienes. Eram umas oito e meia e o pai João ainda não tinha chegado. Carminho no penico, eu de livro na mão a mostrar-lhe animais e eis que reparo numa bola amarela, nojenta, agarrada à parte branca do olho. Parecia uma massa de gordura mas era mesmo no meio do olho. Felizmente o pai chegou nesse instante.

- Vem aqui ver o olho da Carminho - chamei

- Ai que horror. Que mau aspecto isto tem.

- Achas que vá ao hospital?

- Acho.

- Então veste-a lá enquanto me arranjo...

Nem tentei ligar à pediatra, que às quintas-feiras não dá consultas.

Chego à urgência e deparo-me com dezenas de crianças de bochechas encarnadas, febris, com tosse... Meia volta. A dez minutos das nove da noite ainda encontraria a clínica aberta. É uma clínica onde, por ser beneficiária da ADSE, só pago 4€ por consulta. Não tem urgência de pediatria mas os médicos costumam ser bastante atenciosos.. Imaginei uma sala de espera cheia mas enganei-me. Cheguei e fui atendida no minuto seguinte.

- Esteja descansada, acalme-se. Isto é só uma conjuntivite e isto é uma bola de pus.

- Ah....

- Vai por uma pomada-antibiótico e vai ver que amanhã está muito melhor.

E assim foi: Farmácia-casa-pomada no olho-cama.



EPISÓDIO Nº 2 - A dor de garganta e a febre

Há uns dias que se andava a queixar da garganta. Pelo sim pelo não, dei-lhe um anti-inflamatório para ver se dali não passava. Pelos vistos passou dali e, na manhã a seguir ao episódio do olho, a Inês acordou cheia de febre. Levei a Carminho ao infantário e fui com a Inês à tal clínica. Não me parecia caso de ir à urgência, apesar de saber que nessa manhã lá estaria a pediatra delas. Cheguei por volta das nove, tinha sete pessoas à minha frente e o médico ainda não tinha chegado. Liguei para o trabalho a avisar que não iria e esperei. Ao fim de uma hora e meia lá nos chamaram. O médico, que era uma médica que eu nunca tinha visto, via-a a despachar e, apesar das dores de garganta, optou por medicar com Brufen e Ben-U-Ron. Virose, minha senhora. É uma virose.

Saí de lá pouco convencida. Conheço as minhas filhas melhor que ninguém e sei perfeitamente que na Inês estes febrões não são só viroses. Mas pronto, não sou médica...



EPISÓDIO Nº 3 - Quarenta graus de febre, tremuras e delírios

Depois de um dia de febres mais ou menos controladas, mas com muitas queixas em relação à garganta, quis deitar-se cedo.

Às dez da noite fui ao quarto dela para ver se tinha febre. Tinha. Muita. Tremia e delirava. Acordei-a, o pai vestiu-lhe um fato-de-treino por cima do pijama e eu voei com ela para o hospital. A cena repetiu-se. Dezenas de miúdos.

- Olhe, desculpe - perguntei à senhora da recepção - sabe qual é o tempo médio de espera?

- Ai não faço ideia! Não ´tá a ver que ´tá tudo cheio?

- Pois... (só me apetecia chorar)... E tenho alguma alternativa?

- Olhe, o SAP já fechou.

(A clínica também já tinha fechado)

- Só se fôr a CLIRIA - acrescentou a senhora

- E tem urgências a esta hora?

(A CLIRIA é um hospital privado)

- Não sei. Mas vou ligar à Elizabete.

(Como se eu conhecesse a Elizabete)

- Olhe, tem urgências até à meia-noite - disse, transmitindo o relato da Elizabete

Fui. Quarenta euros, três pessoas à frente e um médico fantástico.

Diagnóstico - uma grande gripe e também uma amigdalite.

Onze e meia de noite siga para a farmácia de serviço comprar o antibiótico.

Nesta cidade só há UMA farmácia de serviço. Estamos no Inverno, há um surto de gripes e ninguém pensa nisso? Estive com a Inês na farmácia durante quarenta minutos e ainda tive que gramar as trombas do farmacêutico quando lhe pedi que me preparasse o antibiótoico.



Hoje está tudo mais calmo. O olho da pequenita está menos vermelho e não tem pus e a Inês já não teve tanta febre (apesar de ter tido muita). Eu, para não me enfiar num consultório de um psiquiatra, passei a tarde às compras!
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© Rita Quintela
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