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Mãe-Galinha

desDOBrAR

22.05.07
Quase sempre a levo comigo às compras do fim do dia. As compras do fim do dia são quase sempre na loja das lãs ou na retrosaria, lojas onde já a conhecem e onde ela se envergonha e esconde a cara atrás das mãos. Numa das lojas o senhor já velhote sorri sempre que a vê, e diz:
- Olá Carminho! Gosto tanto do teu nome. A minha mãe chamava-se Carmo, sabias?
Ela não diz nada, às vezes nem olha para o senhor, vira-lhe as costas e mexe nas cores

Verde
Amarelo
Côrosa
Côlaianja

- Vais comprar esta, mãe? É gira! E é para quê?

Enquanto as irmãs se desdobram mais do que aquilo que agora acho que se deviam desdobrar, a Carmo dá-me a mão e passeia comigo a pé, que se partiu o carrinho cansado de tanto uso. Faz-me companhia, conhece-me os passos e os passeios. Remorso-me por não ter andado tanto com as irmãs pela mão. Ou ando na mesma, mas doutra maneira? Dúvidas, tantas dúvidas.

Muitas certezas. Uma delas é evidente.

Gostam de tricotar e
quando for grande quero ser com tu,
escrito num desenho deixado debaixo da porta do meu quarto.

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© Rita Quintela
IBSN 7-435-23517-5

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