Sábado, 8 de Fevereiro de 2014
M14/94

A encomenda que te enviei no dia 24 de Janeiro continua desaparecida. Como precisavas das luvas e do carregador do telemóvel, enviei em correio azul internacional e garantiram-me que em três dias úteis estaria no destino. Nem três, nem treze, nem vinte e três. Tenho o registo do envio e, através do track and trace, sabemos que saiu de Lisboa. Nada mais.

Já fiz uma reclamação formal à qual me responderam dizendo: "informamos que estamos a aguardar resposta à averiguação que efetuámos a administração postal de destino e que a mesma ainda se encontra dentro do prazo estipulado para o efeito (60 dias)" .

Sessenta dias???? WTF??? Quem é que inventou este prazo? Sessenta dias para encontrar uma encomenda? Está-se mesmo a ver que antes disso já tu regressaste.

 Além das luvas e do carregador, também mandei um pacote de bolachas de chocolate (só hoje é que reparei que são "recheadas de alegria") e o livro de que te esqueceste. Nunca te perguntei como tens gerido os livros que lês aí. Se calhar não tens lido. O que é estranho, porque dizes que aí tens muito mais tempo livre. Ou será que lês romances em italiano?

Lembras-te do verão de 2012? Em que partlhámos os livros nos 15 dias de Ericeira? Que horror.... Agora é que incorporo que na altura só tinhas 13 anos e que te dei para as mãos a Ciociara (passo a publicidade ao alfarrabista que linco, apesar do preço merecer a compra!) e o Teresa Raquin. (Pergunto-me agora se estas partihas, destes e de outros livros, não terão inflenciado o teu percurso escolar).

Há um filme baseado na Ciociara. Pode ver on line aqui.

E pelo menos três, baseado no Teresa - Este é o mais recente.

Lembrei-me destes livros porque a Ciociara decorre em Itália. 

Este desvio de conversa para te dizer que não sei onde pára a A Rapariga que Sonhava com Uma Lata de Gasolina e Um Fósforo. (Gostaste do primero volume?) E Sónia, serás sempre a nossa guia literária :)

Um aparte - No domingo acabei de ler o símbolo perdido e DETESTEI (só acabei de ler porque estava curiosa com o fim da história). Na segunda-feira comecei este - bem dizias que é extraordinário. Não durmo em condições há 3 noites porque não consigo parar de ler. Ainda por cima tenho tido sonhos estranhos e repetitivos (eu sugada por formas gelatinosas, debaixo de água*). O inferno será melhor?

  

* Fiquei muito relutante quando a Carla me pôs este nas mãos - "Leva! É giro! Vais gostar!" - As melhores amigas têm obrigação de saber estas coisas mas o resumo da contracapa fez-me levar sem determinação. Erro. Livro extraordinário. Mas lá está, ao fim de um ano continuo com pesadelos. 



Rita às 11:34
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Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2014
M10/94

Noutro dia a Inês disse-me que gostava de viver no centro da cidade.

Eu percebo-a e às vezes também gostava. Mas tinha que ser assim numa casa grande, com muito espaço exterior, com o silêncio que só há na nossa casa e com vizinhos como os nossos.

 

Eu gostava de conseguir cultivar melhor as relações com os vizinhos.

 

(Já se imaginaram a viver num apartamento? A gramar com o barulho dos outros e a fazer os outros aguentar o nosso barulho? Flautas e harpas e clarinetes e sabe-se lá que mais, e  correrias e gritos e televisões aos berros e pés zangados a subir escadas).

 

Aqui há espaço, há terra, há hortas e animais, e há estes gestos que não têm preço - chegar a casa, já de noite* e ter no muro do jardim um cabaz da horta dos vizinhos. (Obrigada Liliana e Pedro)

* Mas em Janeiro uma hora por inteiro e, quem bem olhar, hora e meia há-de achar.



Rita às 17:21
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Terça-feira, 21 de Janeiro de 2014
M9/94

Tirei esta duas fotografias no mesmo dia. Foi no Domingo e só quando as editei é que dei conta das semelhanças das cores e das formas.

De um lado, a Carmo e os caracóis. Quarenta e cinco minutos de uma luta desigual entre mim, o cabelo liso dela, o ferro de enrolar e o secador. 

Há meses que me pedia para lhe encaracolar o cabelo. Há meses que eu adiava com desculpas de falta de tempo. Há meses que me culpabilizava por quase nunca ter tempo para ela. Ora aí estão uns caracóis quase perfeitos, num dia de sol com o tal vento que permitiu que esta fotografia valha muito mais do que o resultado real. 

(No auge do meu desespero por não conseguir mais do que umas pontas para fora, lembrei-me desta técnica que não experimentei nesse dia - não desisti da minha luta -  mas que tenho que experimentar. Se calhar em mim (!), que também sempre quis caracóis)

 

Do outro lado, as pétalas enroladas dos jacintos. É incrível como os vi, literalmente, crescer. Quando cá chegaram eram uns rebentos quase imberbes. Vieram de presente de ano novo, à hora do lanche do dia 1 e, pelos vistos, gostaram da janela da cozinha. Tenho muito orgulho na forma como a relação entre a nossa família e a da Zé cresce e toma forma, devagar, como se nos conhecessemos desde sempre e para sempre, sem pressas nem atropelos (como ás vezes acontece com amizades relâmpago que chegam e nos absorvem e  partem e não deixam quase nada).

 

Notas importantes: A relva precisa de sern cortada. Os canteiros estão cheios de ervas daninhas. A trepadeira está a crescer para cima do telhado do vizinho.



Rita às 17:08
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Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014
M8/94

Eu sempre disse que há um mundo por descobrir nesse universo que são as gafanhas

Os velhinhos séniores do Centro Comunitário da Gafanha do Carmo recriaram este vídeo, da Miley Cyrus, desta maneira (notícia aqui, com declarações dos participantes). 

Eu quero ir para um lar assim.

 

(e assim se anima o que se diz ser o dia mais triste do ano)


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Rita às 12:21
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Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014
M3/94

A tua camisola vai a bom ritmo. Para teres uma ideia, as costas já medem 50 cm. No Domingo à noite fartei-me de tricotar. Tinha dormido à tarde e à noite estive a ver o factorX. Não foi grande gala* mas o D8 esteve extraordinário. Estou tão fã do miúdo que dei por mim a pesquisar música rap no spotify...  A camisola talvez esteja pronta antes do próximo natal :) (é esta, mas noutro fio. Vi-me grega para acertar com o ponto).


Entretanto acabei a gola dos torcidos (É MINHA). 

(Usei este modelo, com um fio brancal acerca do qual se conta a seguinte história - era uma vez uma moça que se pôs a inventar um casaco de rapaz. Tricotou, tricotou, tricotou, até que, no fim, a desproporção entre a largura, a altura e o tamanho das mangas era de tal forma que, num ápice, desmanchou semanas de trabalho e deitou mãos a esta gola).

 

Não consegui usá-la com as caneleiras castanhas, eram torcidos a mais. Aliás, ainda não a a usei nenhuma vez porque não tem estado frio.

(Fiz as caneleiras a olho).

 

Na segunda-feira a Inês voltou ao S. Gonçalinho e apanhou imensas cavacas! Vamos guardar uma para cumprir a tradição da cavaca da sorte. Atiramo-la para o ano. Gostava muito que vocês, tu e os teus irmãos, mantivessem o gosto por esta festa. Sinto que na minha vida tem faltado algum distanciamento das coisas terrenas. Não é que me falte fé, falta-me é algo a que me agarrar. As pessoas que acreditam na vida eterna são, de certeza, mais felizes. O S. Gonçalinho é o meu único escape para a frieza das coisas. E tal como te disse no sábado, ao S. Gonçalinho não se reza. Com ele, conversa-se.

Gosto da festa pagã, da melice do chão cheio de açúcar, dos 41 degraus que me fazem suar enquanto combato a minha claustrofobia e de acreditar que agradeço por mais um ano bom. 

 

este cartaz



Rita às 09:17
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Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2014
M2/94

É engraçado ver-te no skype! (estás com olheiras, tens que te deitar mais cedo.)

A Tina enviou uma foto tua com o cão ao colo, na cozinha. A legenda era qualquer coisa como "ESTÁ TUDO ÓPTIMO!"

A cozinha é parecida com a nossa mas o fogão é muito maior. 

Acho que tiveste muita sorte com a família. 

 

Neste projeto (MIA, mobilidade individual de alunos, muito parecido com o erasmus, mas para o secundário), os alunos ficam em casa de famílias que tenham alunos da escola de destino, com idades e interesses próximos.

 

Eu, a Ana, a Telma e a Isabel vamos tentar almoçar juntas de 15 em 15 dias para pormos a conversa em dia. Acho que estes encontros de mães vão ajudar a acalmar a ansiedade e as saudades. O primeiro é no dia 24. 

 

Deves-te lembrar que ando a bater o pé para a C ter aulas de apoio a matemática. Que não podia ser, porque os alunos do articulado não têm direito (ridículo... o argumento do ministério é o de que têm "comprovadas aptidões" - para a música, ok??? MUSICA), que a escola não tem recursos, que isto e mais aquilo. Barafustei tanto que hoje a miúda trouxe um recado a perguntar se eu autorizava a aula de apoio. Nem quis acreditar quando li - a aula foi marcada à mesma hora da aula de harpa! Ela está no ensino articulado da MUSICA, remember guys????? Não sei se desista ou se regresse à guerra. Eu não sou muito de desistir mas estas coisas começam a cansar-me. Lembras-te do dia da prova dos professores, em que ía tendo uma sulipampa à hora do almoço e disse que vos tirava da escola? Às vezes é o que me apetece. Outras vezes não. Porque se não fosse a tua escola, e as tuas professoras, tu agora não estavas aí. Mas eu preferia que fosse tudo bom.



Rita às 23:33
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Domingo, 12 de Janeiro de 2014
M1/94

Noventa e quatro dias.

Dois mil, setecentos e noventa e seis quilometros.

 

Tu és do mundo e o mundo é teu. Vai.

 

 

Cheguei a casa há meia hora, a Inês adormeceu no carro e a Telma veio sempre muito calada. 

Puxei assunto, as novelas, o calor do brasil, as viagens. Melhorou, conversámos e a viagem fez-se depressa.

Vejo online que já vais a meio da primeira viagem. 

 

Aproveitei o silêncio da casa e fiz uma data de coisas - preparei as mochilas da piscina dos manos, escrevi os recados da D. Augusta e fiz as ementas. Se tiver tempo passoa-as para o outro blogue. Também estendi a roupa, quase toda na lavandaria que está a fazer-se escuro, parece que vai chover.

Entretanto o Sebastião e a Carmo acordaram e tomaram o pequeno almoço. A Inês foi-se deitar, quando chegámos. Eu depois durmo, à tarde. 


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Rita às 09:20
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2013
Paris, Maio de 2013

Deito-me tarde e levanto-me de madrugada. Preparo-lhe refeições para um dia de viagem, ajudo-a com a mala, repito-lhe mil conselhos até à exaustão. Acalmo-lhe os nervos disfarçados e disfarço as minhas angustias. Nunca deixarei de deixar os meus filhos voarem. Só assim lhes crescerão as asas.

Se me custa? Custar-me-ia mais que se tornassem em pessoas resignadas à sua sorte, paradas no tempo e no espaço. 

Conto sempre as horas que faltam para o regresso, vou fazê-lo sempre, seja onde for a nossa casa. Há-de haver sempre a nossa casa.

Ainda ontem à noite confessava à minha filha mais velha, a mesma que a esta hora me envia mms da torre Eiffel iluminada e me diz baixinho "é muito maior do que eu imaginava", que só o medo de um dia lhe ocorrer não querer voltar me angustia mais do que as saudades.

- Que tonta, mãe. Eu vou SEMPRE voltar a casa. 

Nuns quase quinze bem resolvidos, sei que mais estes dias valem tanto com um trimestre de aulas. 

Já escrevi isto outras vezes e não me cansarei de o fazer - o mundo é teu, Maria.

 

Temos o privilégio duma escola (pública) que valoriza estas experiências de vida e tem apoiado a mobilidade dos miúdos em projetos fantásticos. Esta viagem, apesar de financeiramente suportada pelas famílias (e amigos que quiseram contribuir!) foi totalmente organizada por um extraordinário grupo de professores que estão, neste momento, a abrir horizontes a 58 miúdos. A troco de algumas preocupações e noites mal dormidas. Isto chama-se boa vontade.


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Rita às 22:34
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008
Neve
 
Posted by Picasa

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Rita às 12:29
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Sábado, 16 de Fevereiro de 2008
Com este calor,
haverá neve na serra?

Vamos no Domingo e regressamos na Segunda porque na Serra, às Sextas e Sábados chama-se época alta. Nós somos incompatíveis com épocas altas.

Ainda por cima tivemos mesmo que comprar um carro novo, facto que nos leva à teoria dos sinais ii.

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Rita às 23:19
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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007
Também sei fazer posts com fotografias
Só ontem à noite, outra vez a fazer malas, percebi que tinha passado mais uma semana sem quase dar conta.
Ando desiquilibrada com o tempo - pouco, para umas coisas, tanto, para outras.
A caminho de Lisboa, e antes que esqueça, do fim-de-semana passado:

Um piquenique debaixo de chuva



Uma casa que devia ser minha



Um sinal sinistro, a muitos quilómetros de distância: a UA no chão.



Amuos. Um de muitos.



Outro piquenique, do lado de lá da fronteira.



São tão lindas assim a dormir!
Falta uma; foi fazer xixi.


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Rita às 12:26
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Talvez, no fim-de-semana
1º Salão Ilustrarte do Livro Infantil

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Rita às 09:54
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