Quinta-feira, 26 de Maio de 2011
Primeiro molar superior direito

Dói-me a boca. Tenho um dente e um quisto a menos e sete pontos a fechar a gengiva. Tomo medicamentos de quatro em quatro horas e só como sopa fria e passada. Durmo semi-deitada, quase sentada. 

Mas consigo falar. Muito. E isso é o que interessa.

 

Também tenho trabalhado muito e hoje quase me esqueci duma filha na escola por causa de números e cálculos e mais números e tabelas e verificações. Saí  do trabalho a correr e cheguei mesmo a tempo de lhe segurar o quase choro pelo meu atraso. Eu não devia correr, por causa dos pontos. Nem devia ter ido trabalhar. Mas corri. E fui. Porque a vida são estas coisas todas e apesar do esforço, é sempre melhor chegar ao fim do dia com a sensação de missão cumprida.

 


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Rita às 23:47
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Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010
Antes isso

Parece que tenho um síndrome vertiginoso.

 

(outros diagnósticos de amigos e conhecidos - gravidez, manha, oclusão intestinal, virose e coluna)

 


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Rita às 11:03
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Terça-feira, 19 de Outubro de 2010
Até sonhei com o D. João V

Ontem tive um chilique.
Apoderou-se de mim um cansaço inimaginável, tive vertigens e tonturas, vontade de vomitar, perdi a força nas pernas e deixei de sentir os dedos das mãos.
Há doze anos que durmo pouco, que me preocupo, que dobro meias e separo cuecas, que não relaxo, que não tenho tempo para mim, que não fico doente, que me esqueço de respirar. Portanto, ontem dei-me ao luxo de ter um chilique, deixei-me levar para casa a meio do dia (o chilique foi no trabalho) e dormi, dormi, dormi, acordei, comi e dormi. Horas, horas e mais horas.

Pelo meio ainda ouvi três diagnósticos brilhantes - é da vesícula, é um AVC, é um tumor no cérebro. Óié! Isso tudo e muito sono.

Ainda não estou fina mas já estou melhor. Como as pontas dos dedos ainda estão dormentes, vou aproveitar para teclar como se não houvesse amanhã.


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Rita às 10:07
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
trinta e oito e meio

O vírus passa de garganta em garganta e aborrece-me os dias e as noites. Eu nunca fico doente mas às vezes apetecia-me. Ficava deitada no sofá, enrolada numa manta, traziam-me chás e paracetamol, davam-me beijinhos e deixavam-me estar sossegadinha, a ver se a dor de cabeça passava. Se eu estivesse doente se calhar nem tinha que fazer o jantar.

Eles ficam todos doentes e eu não. Porque eu sou a mãe e tenho, de certeza, um chip incorporado que emite ultra-sons que afugentam os bichos e me faz aguentar dias e dias (meses. anos.) sem dormir.

Não sei como não baralho tanto antibiótico, anti-inflamatório, gotas do nariz, paracetamol, ibuprofeno e afins. Já não uso termómetro porque consigo saber-lhes a febre só com um beijo na testa e estou quase, quase, a tentar uma especialização em pediatria.  


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Rita às 10:16
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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
Choverá para sempre e mais além?

Foi à biblioteca, apanhou uma molha e está de molho com febre. Faz desenhos e perguntas e obriga-me a escrever não sei quantas palavras para depois as copiar.

Para a semana estará oficialmente inscrita na escola primária.

 

 

É um facto - ter mais filhos implica ter mais febres, mais ranhos, mais tosses e mais -ites. Chatices, portanto.

 

Ontem escrevi um e-mail à empresa que faz a recolha dos ecopontos. Já não me indigna estarem sempre cheios, até pode ser bom sinal. Ando é baralhada com a impressão de que, quando é feita a recolha, fica tudo misturado. É capaz de ser uma ilusão de óptica.



Rita às 14:06
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Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009
Nem tudo é mau numa otite

Mau

O Sebastião tem uma otite. Tive uma noite de merda. Está chuva e frio.

Médio

Hoje não fui trabalhar.

Bom

Lambuzo-me

 

 

(requeijão, doce de abóbora e canela)



Rita às 14:51
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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009
metade de molho

Duas Marias com amigdalite e o Maria pequeno cheio de febre e queixinhas por causa das vacinas.

Falta um dia para eu regressar ao trabalho.

Podiam ter combinado outra altura, pá.


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Rita às 21:11
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Sábado, 26 de Janeiro de 2008
fim de janeiro
O facto é que me desmotiva o excesso, e tenho tanto que não me contento com pouco.
Acho que é por isso que não tenho escrito.

É Janeiro, quase no fim, e as miúdas continuam rijas e a escapar às maleitas do inverno. Tirando um episódio de há uma semana com uma laringite na Carmo, mas que se curou mal me disseram que o tempo de espera na urgência seria de mais de seis horas. E um dia de febre na Maria que com caldinhos e ben-u-rons não passou disso.

Na noite da tosse rouca da laringite, assustei-me, pareceu-me que faltava o ar à miúda, e fugi para a urgência que aqui não fechou. Não fechou esta mas fecharam umas quantas aqui à roda e eu, que até então não ligara muito à coisa, senti na pele o peso de tanta gente. Mal saí da triagem e manchestereada em verde, fiz-me ao caminho e regressei a casa. Sábia a enfermeira - o melhor é ir... Se ela piorar, volte cá daqui a umas horas que até às sete da manhã não perde a vez de certeza.
Descansada com o facto de ar lhe fluir, foi só chegar a casa. No dia seguinte estava rosada e sadia. Até fomos ao teatro.

Daqui a menos de dois meses é primavera e já tremo a pensar nos meus desgostos e na asma da Inês.
Nem pareço eu a falar mas
oxalá chegue depressa o Verão.


Rita às 22:46
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2007
seis vírgula zero dois vezes dez elevado a vinte e três
Tenho as costas feitas num bolo. Talvez as barre com chocolate quente, derretido, e talvez o calor me ajude a suportar a dor. Ou gelo, que a mim me parece um músculo inflamado.
O calor e o frio. É de extremos, a fuga da dor.

Juro que acordei às cinco da manhã e não dormi mais, tal era a dor e a falta de posição. Tomei um paracetamol efervercente que me aliviou mas nada me curará, que isto é um mal da idade. Um mal que se eleva à potencia dos filhos.

Noutro dia lembrei-me do número de Avogadro. Nesse mesmo dia descobri que a tabela periódica já não é o que era.

Passo dos trinta e cinco.
Isto não é um queixume, é um facto.

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Rita às 13:19
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2007
Dotes
Tenho duas bolhas nos pés e doem-me as pernas. A culpa é do PPD.
Cresci a ouvir esta expressão, a culpa é do PPD, a culpa é do PPD e depois o PPD até mudou de nome e a culpa também por isso, o PPD seria outro.
Hoje voto a este PPD a culpa das minhas mazelas, que me tenho fartado de andar a pé para poupar gasolina. Chego à cidade, estaciono à porta do infantário e passo o dia a calcorrear passeios e a descobrir detalhes nos quais nunca antes tinha reparado. O pior são as bolhas nos pés e o cheiro a chulé e a transpiração quando me deito na maca para que me massagem as maleitas. Hoje armei-me das dodots que já quase não têm uso em casa a não ser para tirar algumas nódoas e mais logo, antes de me deitar na tal maca, hei-de dodotar-me.
Também dispensei metade da empregada e passarei serões a passar
-me.
A roupa.

Do PS esperava mais S. O PPD - Plano de Poupanças Doméstico, espero que tenha os dias contados.

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Rita às 10:31
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Quarta-feira, 11 de Abril de 2007
Maleitas
Passada a barreira dos trinta e cinco, eu, que vendia saúde, ressaco gravidezes, pós-partos, colos e, se calhar, algumas negligências. Doem-me os pés e dizem-me também que tenho um menisco feito num oito. Da artrose do tornozelo já ninguém me livra, nem mesmo a fisioterapia de todos os dias que me tem ocupado parte das manhãs. Ainda me pus a discutir com a médica, que me queria tratar ao fim da tarde e confesso que cheguei a magicar mil maneiras de lá ir e atrelar as miúdas, ou deixá-las mais umas horas sem mim. Depois ocorreu-me, numa fracção de segundo, que são elas que me fazem feliz, que me fazem sorrir e rir e me fazem, sobretudo, sentir-me eu.

(Esta manhã a Inês perguntava - mas mãe, tu gostas do teu trabalho? e eu balbuciei e - hum...hum... maisoumenos querida mas olha, vamos para a escola que já é tarde e ela - mas se não gostas podes sempre trabalhar numa loja, ou num café, não é mãe?)

São elas que me dão sentido à vida e portanto, que se dane o meu corpo ou o meu trabalho e curem-me as maleitas nas horas do expediente ou então não as curem, quero lá saber, quero-as é a elas e o que me custou hoje a Carmo agarrada a mim a chorar na escola - mãe! só outro beijinho... - bem sei que a fita tinha ares de remorsos dela, que não se portou por aí além nem ontem, nem hoje, nem sequer se tem portado bem. Mas é crescida , a miúda, e remói as culpas depois dos ralhetes. Digo-lhe sempre, sempre - a mãe gosta sempre de ti. Mas ficas feia, quando te portas mal, e eu quero-te sempre linda.

O queixo da Maria ficou quase perfeito. De frente, como ela nos gosta de olhar, olhos nos olhos, nem se dá por nada.



Consta que tirar os pontos foi um terramoto e gostava que hoje tivesse visto a coragem da irmã do meio perante a certeza duma agulha enfiada no braço à conta dumas análises. Chorou, claro, mas enfrentou o facto que sabia consumado. A Maria, bem a conheço, tenta todas as artimanhas para invalidar acções sabidas certas e futuras e também adia as obrigações. Nisso, a Inês é claramente diferente.

Das maleitas, falta ainda queixar-me do desassossego mas não sei se agora consigo. É que faltam-me palavras e estou em ir procurá-las. Mais ainda assim, lúcida. Nos momentos de desassossego maior até sou capaz de verbalizar a coisa. Mas agora aqui, frenta-a-frente com o espaço a preencher... Digamos apenas que aquilo que fazia de mim uma lutadora feroz se esvai nos desencantos.

Elas encantam-me, isso sim, importa. E há entre nós o que mais prezo - o respeito.

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Rita às 12:51
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