Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012
Uma pergunta que explica bem a nossa vida nos ultimos tempos

- Quando o pai já não tiver o penso no olho e os médicos conseguirem montar os ossos todos, posso dormir um bocadinho na tua cama, mãe?



Rita às 09:30
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008
EPS
- Posso ver o futebol? (Maria)
- Só se souberes o nome de algum jogador do Benfica. (Eu)
- err... Rui Veloso?
- Vai fazer os trabalhos de casa.

(Eu sei que há um jogador que se chama qualquer coisa como Di Maria; e li numa revista que o Rui Costa se vai separar)

Entretanto:
Perante o ar (dele) cabisbaixo da derrota, não resisti:
- Deixa lá o benfica...Porque é que não mudas de clube?
- Só se for para o Eléctrico de Ponte de Sor.
Seja.
Já te fiz sócio.

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Rita às 13:21
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007
Colheradas
Pergunto muitas vezes a mim própria como fui capaz de casar com um homem tão desorganizado.

Socorri-me, na altura, da filosofia do yin/yang e acreditei que aquele seria o caminho - eu aprenderia a desorganizar-me. Ele a organizar-se.

Não se pode parar o yin/yang?????

É que já não aguento as chávenas de café com os pires iguais nem a conversa amaricada como a de ontem à noite, enquanto punha a mesa:

- Estamos cá com um défice de colheres...
- Tens aí, na gaveta de baixo
- Mas não são iguais! Essas são de cozinha, não são de mesa.
- (colheres de cozinha e colheres de mesa???? - isso era dantes, pá. Agora o que é preciso é que haja colheres na mesa - e já - a ver se as miúdas se despacham a comer a sopa) - isto fui eu a pensar, porque nem me atrevi a abrir a boca.

(Cat, querida, a ver se lhe ligas e explicas onde e como se compram faqueiros em prestações)

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Rita às 09:22
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Sexta-feira, 11 de Maio de 2007
Da vida de casal
Coisa contextualizada, intervenientes apresentadas, bacalhau com natas e sopa de feijão verde na mesa, meninas lavadinhas, oito e meia da noite.
- Devias ter visto a troca de mails de hoje entre nós as três!
- Não fazem nenhum...
- Ó pá, tivemos uma ideia de génios.
- Hum hum... - sem tirar os olhos do prato
- Já não sei a que propósito, lembrei-me de procurar no google sobre a terra onde mora a Nélia. Aquilo até fanfarra tem!
- Fanfarra...
- E junta de freguesia e tudo! Eu pensava que aquilo era só mesmo a casa dela e mais nada, vê lá tu!
- Sim e depois?
- Podíamos ir viver para lá! - eu, um ar sério, convincente, a testá-lo.
Não comentou mas encolheu as sobrancelhas e olhou-me olhos nos olhos.
- As miúdas podiam tocar na fanfarra, eu ía para a Junta e tu podias trabalhar na fábrica do sogro da Nélia. A Dulce lembrou-se que tu assas bem carapaus, podias ir assar carapaus na fábrica, sei lá, fazer grelhados para o pessoal.

Os olhos muito abertos, os talheres suspensos, o bacalhau no prato.

- O miúdo da Dulce podia trabalhar na fábrica aos fins-de-semana para ver se se orienta e se orienta alguma das nossas miúdas.

Elas, as miúdas, espantadas, arreagaladas:

- Vamos mudar de casa, mãe?

O meu riso preso no estômago.
- A Dulce também vai. Diz que há uma agência do banco lá perto e pede transferência. Ah! E se não quiseres trabalhar na fábrica, a Nélia acha que podemos abrir uma barraca à beira da estrada e fazer petiscos para os camionistas.

Silêncio

Desmancho-me a rir.
Ele:
- Vocês andam a dar na coca? - e continuou a comer


Rita às 10:02
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Segunda-feira, 5 de Março de 2007
38
Este é, reparo agora, o milésimo primeiro post deste blogue. Mil posts já escritos mais uma data deles em draft, mais uns quantos que escrevi noutros lados.
Às vezes releio o que já escrevi e dou por mim ou a sorrir, ou a rir, ou, menos vezes, a chorar. É bom ter um blogue, quanto mais não seja porque é uma memória feita dia a dia, dos nossos dias.
Tenho a certeza que as minhas filhas vão gostar muito de ler estas histórias, de conhecer a mãe noutra perspectiva que não a das rotinas de todos os dias. Este retrato vai fazer delas umas miúdas (ainda) mais felizes porque sei que vão sentir aqui esparramado o meu amor por elas.

E por ti também, meu amor.
Falo tão pouco de ti. Escrevo tão pouco de ti.
E tu estás-me nas entranhas, fazes parte de mim. Não saberia nunca viver sem ti, mesmo quando me apetece que me desapareças da frente ou que aterres no meu mundo.
O que foi que nos juntou? O que é que nos faz ainda rir? Porque é que em vez de carpirmos as nossas mágoas nos agarramos sempre aos nossos sonhos?
Parece-me , meu amor, que vivemos cada vez mais virados para nós, que nos isolamos, que nos limitamos a proteger as nossas crias dos monstros e a ter-nos um ao outro. Tenho medo de estarmos apenas a fugir dos outros destinos que não são os nossos. Por outro lado, penso friamente que é apenas uma fuga aos nossos próprios monstros e que fazemos bem, fazendo a vida acontecer assim.

Quero-te sempre comigo e hoje vou cozinhar-te um arroz de marisco. Não sei é se tenho tempo de fazer uma tarte de amêndoa e muito menos, de lhe espetar as trinta e oito velas.

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Rita às 13:37
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Sexta-feira, 2 de Março de 2007
O pai delas não arrisca
mas eu não faço a mínima ideia do que está nas gavetas, no cesto da roupa lavada ou no cesto da roupa suja. Às sextas-feiras eu já não sou dona da casa e o cansaço revira-me o bom senso. Não consigo imaginar combinações de cores antes de tomar café e, por força das circunstãncias, só o posso fazer depois das dez e meia.

Esqueço-me de deixar pronta a roupa para a Carmo vestir e saio de casa mais cedo com as mais velhas.
Às nove e meia da manhã toca o telefone e respondo:
- Uma calças, uma camisa e uma camisola. Mas poramordedeus, coisas que combinem.

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Rita às 09:40
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